Texto depois de exemplos primeira data

realista, mas acima de tudo otimista. Organização do texto: O texto que você acabou de ler é uma autobiografia, ou seja, é um relato da vida de uma pessoa, escrita por ela própria. Na autobiografia, o autor fala em primeira pessoa. Preparação: 1º - Uma boa fonte de inspiração para escrever uma autobiografia é olhar álbuns de ... Depois de dois-pontos [ : ] se privilegia o uso da letra minúscula. Dois-pontos é um sinal de pontuação interna. Não termina a frase, apenas introduz uma nova informação. É usado para assinalar uma pequena pausa numa frase que não está concluída. Apesar disso, há casos em que se justifica o uso da letra maiúscula. Depois de passar por toda a base teórica dos anúncios de vendas, é chegado o momento de partir para a prática. Então, vou apresentar a você peças publicitárias realmente inspiradoras, que vão ajudar a entender o que a persuasão pode fazer por suas vendas. Mantenha a primeira palavra do nome do banco de dados em caixa alta no corpo do texto. ... Primeiro, coloque o título do banco de dados em itálico. Depois, coloque o DOI ou URL. A data de acesso vai por último. Se estiver citando um artigo do banco JSTOR, por exemplo, ficará mais ou menos assim: ... Anote a data de acesso e a URL ou DOI nos ... E, ao mesmo tempo, ela redefiniu o papel de primeira-dama', disse a professora aposentada da USP e pesquisadora do Cebrap, Maria Hermínia Tavares, que foi aluna e amiga de Ruth. 'Ela trouxe para perto do governo uma experiência de coisas que tinha estudado e para as quais tinha grande sensibilidade.' Ao executar o programa acima (claro, depois de compilá-lo), ele escreve . O valor numerico é 38 Introduzindo comentários no código. Um comentário é uma porção de texto que não tem função para o compilador Java, mas é útil ao leitor humano. Assim sendo, um comentário é identificado mas ignorado completamente pelo compilador Java. Depois de coletar o que você precisa de um site, execute scripts que vasculhem pelos dados localmente, em vez de sobrecarregar os servidores de outra pessoa. Adicionalmente, é uma boa ideia fazer web scraping com um cabeçalho que tenha o seu nome e e-mail para que o website possa identificá-lo e fazer o acompanhamento caso tenha alguma dúvida. Depois de rever tudo, despeça-se de forma cordial. Veja também: 4 Exemplos de cartas de motivação. 6 Exemplos de email formal prontos. De seguida, deixamos-lhe alguns exemplo de como deve escrever um email formal (para diferentes ocasiões e temas). Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo. Assim como as strings são representadas por 'texto' ou 'texto' Normalmente as regex são identificáveis por /regex/ ou /regex/substituicao/ No caso de // (duas barras) Normalmente é utilizada para localizar padrões de texto dentro de um texto. Exemplo de uso: /joao/ vai procurar joao em uma string /joao/i vai procurar joao em uma string ...

U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]


2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.07.23 10:24 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt 6 Quantas horas devo estudar por dia?

Quantas horas devo estudar por dia? Quantos meses/anos são necessários para a aprovação? Acho que todo mundo já deveria saber isso, mas sempre vejo essa pergunta em fóruns na internet. É óbvio que não existe “receita de bolo”. Se alguém falar “estudei duas horas por dia” ou “estudei quinze horas por dia”, isso n~o quer dizer nada. Se você estudar o que n~o deve, pode ficar um ano inteiro com quinze horas ininterruptas diárias de estudos que não adiantará muita coisa. Eu, mesmo, nunca cronometrei e nunca parei para pensar direito sobre quantas horas eu estudava por dia. O que importava, de fato, era ter conseguido render bastante, e isso não se mede em horas de estudo, em páginas lidas, em exercícios feitos ou em livros resumidos. Para quem tem problemas de concentração ou mora com a família, por exemplo, pode ser aconselhável estudar em uma biblioteca ou em uma sala de estudos (de cursinhos preparatórios, por exemplo). Como morava sozinho em Brasília e consigo me concentrar facilmente, estudei em casa mesmo (apesar da maldita reforma do revestimento externo do bloco exatamente em frente à minha sacada, que começou semanas antes da primeira fase e durou até depois do fim do concurso, com barulho de furadeira, com rádio ligado no volume máximo e com pedreiro gritando o dia todo).
Não vou fazer propaganda contra ou a favor de nenhum cursinho. Em vários sites e blogs e nos grupos do Facebook e do Orkut informados acima, há bastante informação sobre dinâmica de cursinho, professores recomendados etc. Falando da utilidade dos cursinhos de maneira geral, é, obviamente, tudo muito relativo. Depende de sua familiaridade com a matéria e de sua facilidade de aprendizado. Muitas vezes, se você estudar sozinho, aprenderá mais e ganhará mais tempo que fazendo cursinho, especialmente para a primeira fase (além de economizar dinheiro, já que os preços dos cursinhos não são, em geral, muito camaradas). Nada como sentar na cadeira e estudar, observando, sempre, alguns pontos mais importantes, como: temas de maior recorrência nos últimos concursos, temas contemplados no Guia de Estudos etc. Cuidado apenas com a segunda fase (para Redação, sugiro que todos façam, sim, curso preparatório).
A gente tende a achar que há algumas coisas que só aprenderemos no cursinho (macetes de prova, orientação teórica que a banca prefere), mas, por incrível que pareça, há alguns professores que, por mais que (às vezes) saibam a matéria, não conhecem bem as provas do concurso. Tive, por exemplo, um professor (bem recomendado por alguns) que falou tanta coisa errada, mas tanta coisa errada, que, quando fui revisar as anotações, acho que perdi mais tempo conferindo tudo e corrigindo todos os erros do que se houvesse apenas estudado sozinho. No fim das contas, desisti das anotações e ignorei-as por completo. Outro professor (também muito bem recomendado por algumas pessoas) dava a matéria muito superficialmente e mostrava desconhecer completamente o concurso, a banca e a própria matéria. No fim das contas, acabei abandonando a matéria no meio. É frustrante, principalmente, porque os cursinhos são, em geral, bastante caros.
Não adianta um professor saber bem a matéria (a propósito, nem todos sabem), é necessário conhecer as provas a fundo. Isso significa não apenas saber todas as questões da primeira e da terceira fases dos últimos concursos ou todos os Guias de Estudos de cor, mas também, especialmente para a segunda e para a terceira fases, experiência tanto com relação às preferências acadêmicas da banca quanto com relaç~o { “jurisprudência” das correções. Esta última habilidade só se adquire vendo muitos espelhos de prova e recursos (deferidos e indeferidos). Como os espelhos de prova não têm vindo com marcações (você recebe apenas a nota nas questões, sem nenhuma marcação ou comentário), acho que, pelo menos, o estudo detido dos Guias de Estudos anteriores já é um passo importante.
Há, sim, alguns professores muito bons que valem cada um dos muitos centavos que você paga pela aula, mas meu alerta é: não se deixe levar por preço (já vi gente fazendo matérias em alguns cursinhos, sem sequer saber se os professores eram bons ou não, apenas porque era mais barato), por aulas experimentais (em um dos casos que eu citei acima, eu achava as primeiras aulas excelentes; só depois fui perceber o tanto de “abobrinha” que ele falava e o tanto de datas, de informações e de argumentos errados que ele passou) ou por fama do cursinho. Procure, sempre, onde quer que seja, informações sobre o professor (e, de preferência, com mais de uma indicação). Não vou falar de quais gostei e de quais não gostei porque acho que este não é o meio adequado para isso, mas, caso você não conheça alguém que já tenha feito algum cursinho, procure em fóruns na internet e nos grupos do Facebook e do Orkut indicados acima, sempre há alguma coisa útil (encontrei várias informações que estava procurando de professores em diversos cursinhos).
Para quem pensa em mudar-se para Brasília, por exemplo, para fazer um curso preparatório, as maiores dúvidas são, frequentemente, relativas ao custo de vida e à relação custo-benefício de morar na capital. O aluguel de imóveis em Brasília não é dos mais baratos (consulte, por exemplo, http://www.wimoveis.com.bdf), o que, somado aos preços um pouco “salgados” de alguns cursos preparatórios, pode implicar altos gastos. Como eu já morava na cidade antes de iniciar a preparação para o CACD, não sei se há alternativas de moradia mais próxima a algum dos cursinhos (são quase todos bem distantes um do outro). Sei que o curso O Diplomata oferece aluguel de apartamentos, mas não sei como funciona direito [informações: (61)3349-0311]. Acho que boa parte das pessoas que optam por mudar-se para Brasília tem diversos objetivos: concentrar-se mais nos estudos (o que pode ser difícil em uma casa com os familiares, por exemplo), ter acesso aos cursos preparatórios, conhecer outras pessoas que estão estudando para o CACD etc. Não foi meu caso, pois já morava em Brasília anteriormente, portanto não posso dizer se acho que, realmente, vale a pena por esses motivos. De todo modo, na comunidade “Coisas da Diplomacia”, no Orkut, j vi diversos comentários a respeito. H, também, o grupo do Facebook “Moradia – IRBr”, voltado para a discussão desses assuntos: http://www.facebook.com/groups/168135273239644/.
Principalmente para aqueles que não conhecem muita gente que também está se preparando para o concurso, o ambiente de cursinho pode ser interessante, para conhecer outras pessoas que estão na mesma situação que você e que podem contribuir com algumas dicas e sugestões úteis para a preparação. De todo modo, se você for daqueles que preferem estudar sozinhos a gastar tempo e dinheiro indo para o cursinho, ótimo! Para a primeira fase, eu diria que o cursinho pode ser, se você tiver boas orientações, disciplina de estudos e/ou boa bagagem de conhecimentos, dispensável.
Quanto à segunda fase, considero quase indispensáveis os cursos de Redação Português. Acho muito difícil alguém conseguir passar na segunda fase, se não houver feito cursinho preparatório. Há, obviamente, alguns casos de que já ouvi falar, mas são a minoria. Não vou falar sobre o já batido tema das idiossincrasias da banca da segunda fase, mas, mesmo quanto a coisas que não são “frescuras” da banca, achei muito bom o tanto de coisas (sobre Português de uma maneira geral) que aprendi no cursinho preparatório para a segunda fase. Desde os anos de colégio, sempre fui cético quanto à eficácia das aulas de Redação, mas devo admitir que valeu a pena: é inegável que a escrita melhora muito (nos padrões requeridos pela banca) com o cursinho. Se é necessário fazer um curso regular, que dura vários meses, ou se basta só o intensivo, às vésperas da segunda fase, depende de cada um. Acho desnecessário dizer que fazer cursinho também não é garantia de nada. Fiz tanto o curso regular quanto o curso intensivo e não me arrependi.
Com relação à terceira fase, também acho o cursinho muito importante. Em primeiro lugar, porque alguns professores realmente levam o trabalho a sério e ficam alucinados, procurando tudo o que os membros da banca têm estudado, escrito etc., e isso rende bons frutos, como alguns professores que acertam algumas questões que serão cobradas nas provas da terceira fase. Em segundo lugar, ainda que alguns professores não acertem muitas questões (o que não é uma tarefa muito fácil), a oportunidade de treinar a resolução de questões é fundamental por dois motivos: aprender a escrever na forma requerida pela banca e conseguir controlar o tempo de resolução das questões. Muitas pessoas têm problemas com o tempo para algumas provas da terceira fase (especialmente, para as provas de História do Brasil, de Geografia e de Política Internacional, que são as mais extensas). Não tive grandes problemas com isso e consegui escrever e revisar todas as questões de todas as provas, mas sei que muitos mal têm tempo de terminar de escrever.
Dito isso, já adianto: para essas três provas, é impossível fazer rascunho. Se você fizer, é muito provável que não conseguirá passar a limpo no tempo estabelecido. Para as provas de Direito e de Economia, não diria que é impossível (o número de linhas é menor, logo há tempo de sobra, pelo menos foi assim comigo), mas também considero desnecessário. No CACD, fiz rascunho apenas das provas de Português, de Inglês, de Francês e de Espanhol (em todas, sobrou algum tempo, mas não muito, após as revisões), pois são provas que eu alterava muito depois da redação inicial, trocava frases, palavras etc. Eu já sabia disso por causa de minha experiência com a resolução de questões no cursinho preparatório para a terceira fase, razão pela qual estive, sempre, atento ao relógio, para não perder tempo. Para todas as demais provas, o que se recomenda é, no máximo, um esquema inicial dos principais tópicos a ser discutidos nas questões, como um “brainstorming”. N~o fiz esse esquema em quase nenhuma questão, porque funciono melhor escrevendo direto, mas reconheço que nem todo mundo consegue fazer isso. Alguns podem preferir, ao menos, um momento de reflexão inicial, para fazer um esquema mental dos tópicos que serão desenvolvidos na questão, mas também não consigo fazer isso. A vida inteira, escrevi sem pensar, e deu certo. Não tive grandes problemas com isso no CACD, mas já alerto que não aconselho isso a todos. Muitos não conseguem manter o raciocínio, se não houver um planejamento a ser seguido, e acabam perdendo- se no meio da questão. Cuidado!
Conhecer os concursos anteriores é fundamental por várias razões. Não apenas para saber o que já foi objeto de cobrança, o que mais se repete, o que está ausente há algum tempo (e pode ser, eventualmente, trazido de volta), mas também para entender a lógica de formulação das questões em função dos contextos internacionais recentes, por exemplo. Isso é mais útil para a prova de Política Internacional, as demais não são tão influenciadas por acontecimentos recentes dessa maneira (Geografia e Economia também podem levantar alguns tópicos mais ou menos em voga, em face do que aconteceu em suas respectivas áreas nos meses anteriores ao concurso, mas não é uma regra tão forte quanto em Política Internacional).
Com relação aos conteúdos a ser estudados, atenção especial aos aniversários (10, 20, 30, 40... anos) dos principais tratados, organizações internacionais, acontecimentos marcantes etc., que costumam ser objetos de questões de Direito e de Política Internacional na primeira fase (na terceira fase, também podem ser cobrados, mas com menos frequência; em 2011, os cinquenta anos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas foram lembrados em uma das questões). Visitas presidenciais a países mais importantes e visitas de chefes de Estado de outros países ao Brasil (destaque para EUA, China, Índia, Argentina...) no ano da prova, por exemplo, podem ser indícios de que poderá haver alguma questão nesse sentido. Obviamente, tudo isso não é regra (a pedra mais cantada de 2011, que foram os 20 anos do MERCOSUL, não apareceu em nenhuma questão da terceira fase; de todo modo, as relações com a Argentina, destino da primeira viagem presidencial de Dilma Rousseff, foram tema de questão da prova de Política Internacional).
Para a quarta fase, não há muito mistério. A cobrança de Francês e de Espanhol é bem básica, e conhecimentos de nível intermediário nos dois idiomas podem garantir uma nota razoável. De todo modo, vale observar que, nos últimos concursos, a quarta fase tem tido um peso enorme para a colocação final (especialmente, para as últimas vagas). Dessa maneira, confiar nos aprendizados de última hora de Francês e no Portunhol pode custar-lhe caro. Não recomendo deixar para estudar as duas línguas apenas após a segunda fase (como já vi que muita gente faz). Se você nunca estudou Francês e/ou Espanhol, recomendo começar um pouco antes (professores particulares podem ser mais úteis nesse caso, uma vez que você não precisará de atenção excessiva à conversação e à compreensão auditiva, como ocorre em muitos cursos em grupo). É difícil dizer quantas aulas ou meses são necessários, pois isso, obviamente, depende do rendimento e da facilidade de cada um.
De qualquer maneira, as provas não têm nada de complicado: não é necessário dominar os dois idiomas perfeitamente, as provas são instrumentais (leitura e compreensão de textos). Na prova de Espanhol, tive certo problema com algumas questões pontuais sobre o texto que poderiam ser respondidas em menos de uma linha (há previsão de mínimo de três linhas, máximo de cinco, sem copiar do texto), ou que não estavam, diretamente, no texto. Optei pelo tradicional método da “enrolaç~o”. Adicionei informações que não estavam sendo pedidas, só para conseguir escrever todas as cinco linhas. Em Francês, não tive grandes problemas com isso, a prova estava mais tranquila nesse aspecto. As duas correções foram pesadas, e notas acima de 40/50 foram raridade.
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2020.06.06 07:18 ThorDansLaCroix O que é Fascismo (2da Edição: 2020)

Editado 1 As referencias nos textos e comentarios sao citadas para serem conferidas. Se suspeitarem de algo no texto confira as referencias. Uma pessoa quer refurtar o texto nos comentarios e indicou um livro que nunca leu. Aqui uma pagina desse livro que nao refurta mas eh uma das referencias do texto: https://pasteboard.co/Jc23Z4E.jpg
Editado 2 salientando aqui, que em geral historiadores quando falam de fascismo tocam no aspecto mitologico idealista da nacao original ideal. Mas raros sao os que investigam e falam de onde vem tal mitologia e anceios. Ao qual eu uso a historiografia politica de Hannah Arendt, antropologia psicologica de Otto Rank e psicanalise de Donald Winnicott para explicar, e que em resumo se baseia em uma inseguranca social (e existencial mas esse aspecto existencial eu nao vou tocar).
Antes o papo era que Nazismo é de esquerda e agora o papo é que antifascistas são fascistas pq fazem protestos violentos. Ou socialismo em geral é fascista. E nunca vejo ninguem dizendo de forma clara o que é fascismo, mesmo os que se dizem anti-fascistas.
E eu vejo que as campanhas populistas nunca falam do socialismo clássico fazendo correlações falsas com as ideologias de esquerda de hoje. E o desconhecimento desse socialismo classico, que eh uma raiz historica do fascismo, faz com que as pessoas nao entendem de forma clara o que eh fascismo.
Para começar eu vou falar de Socialismo. Mas nao do socialismo Marxista. Tenha em mente que Socialismo é uma palavra que descreve duas coisas distintas, igual a palavra Manga que descreve uma fruta e uma parte de uma roupa. E vc vai entender isso agora.
Vamos falar desse socialismo para buscar entender de onde vem e o que é fascismo.
O termo "socialismo" existe desde a Grécia antiga. É citado tanto por Platão em seu livro "A República" como também por Cícero na Roma Antiga. Oswald Spengler em seu livro "Prussianismo e Socialismo" publicado na década de '20, fala do Socialismo Prussiano (ou socialismo Teutonico/Germanico que data desde a epoca da queda do Imperio Romano). Esse socialismo que eles citam é o socialismo conservador.
As características do socialismo conservador (socialismo de direita) varia depende da época e povo, mas em geral se caracteriza por um estado paternalista, privilégio hierárquico social, preservação das instituições como religião e estatais (que ditam a vida das pessoas), o governo em controle da economia, preservação do capitalismo corporativista, nacionalismo, entre outras coisas. Algumas vertentes do socialismo conservador vão preferir a ditadura presidencial ou monarquia, enquanto outras vertentes vão preferir a democracia parlamentar ou presidencialismo.
Algumas vertentes, como o socialismo Prussiano/Germânico/Teutônico, tendem a hegemonia etinica e cultural. Tem vertentes que abolem a propriedade privada. Mas nenhuma das vertentes é contra o capitalismo, mas o contrário, são defensores do capitalismo corporativista pq acreditam que a prosperidade da elite reflete na prosperidade em sociedade.
Eu sei que muitos defensores do capitalismo dizem que capitalismo é somente quando ha estado minimo e nao intervenção na economia. Mas na verdade, tal descrição é do liberalismo e não do capitalismo (nem todo capitalismo é liberal). Mas eu explico isso melhor mais a frente.
Continuando... O termo socialismo vem da ideia do que o cidadão toma conta um do outro (hierarquia social), se foca em suas aptidões e trabalho visando a grandeza da nação (nacionalismo), abre mão da competição individualista liberal de enriquecimento e ascensão/prestígio pessoal (considerado liberalismo) e aceita sua posição social, não havendo assim conflito entre classes e todos focados no trabalho e grandeza da nação.
Independente da vertente, o princípio é que a nação deva ser regida como uma orquestra, ou como uma sociedade de formigas e abelhas. Ou como no caso da Prússia, como uma hierarquia militar. Não tentar ser o que vc nao eh. Como em uma orquestra o objetivo é ter a sociedade funcionando em harmonia. O solista não compete com o regente para ser regente, os demais da banda não competem com o solista. E assim buscam ter a estabilidade social como havia na idade média e demais épocas passadas.
O primeiro grande conflito contra o Socialismo Conservador (A princípio monárquico absolutista e feudal) eh o Liberalismo, que surge no meados de 1600' com o Inglês John Locke, conhecido como o pai do liberalismo. Surgiu como briga pela liberdade individual. Tal liberdade individual significa participação no poder (democracia), liberdade de expressão (poder questionar a sociedade e poder vigente), liberdade religiosa em que você pode escolher sua religião e não ser obrigado a seguir uma religião imposta pelo estado ou sociedade, livre comércio que é a liberdade individual em comercializar sem as oligarquias das guildas feudais (e depois estado) limitando a competição, igualdade de gênero que se opõem a hierarquia e determinismo social, e propriedade privada (o que para o liberalismo clássico significa o fim do domínio oligárquico dos grandes proprietários de terras, os senhores feudais).
Em resumo, o liberalismo significa a emancipação do camponês, podendo assim ser proprietário de terra e consequentemente competir individualmente para a prosperidade individual. Ou seja, o fim dos privilégios socioeconômicos de uma elite oligárquica. Thomas Paine, um dos fundadores dos EUA e filósofo, defendia a renda básica em 1797, em um panfleto que ele escreveu chamado Justica Agraria: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Agrarian_Justice
O conflito entre Socialistas Conservadores, que buscavam a volta dos princípios do feudalismo na época, e Iluministas liberais (Republicanos liberais) culminou na grande primeira revolução política, a Revolução Francesa em 1789-1799.
Uma curiosidade: O primeiro movimento feminista começou junto com o movimento de independência dos EUA em 1776. A própria declaração de independência dos EUA cita que todos os cidadãos, homens e mulheres, são criados iguais e livre. Uma das primeira obras do movimento feminista foi escrito por Mary Wollstonecraft, chamado "Vindication of the Rights of Women" publicado em 1796. As feministas esquerdistas vão surgir bem depois (após o surgimento do movimento operário de esquerda, Marxismo, na segunda metade de 1800).
Historicamente a direita é o que busca preservar ou conservar os princípios e tradições políticas, econômicas e sociais passadas (conservadorismo) enquanto a esquerda eh o que busca mudar os princípios tradicionais com novos princípios e ideias. Sendo assim, historicamente o Socialismo original (Conservador) defendia a monarquia, engessamento social e feudalismo, e sentavam à direita do rei (por isso chamados de direita). Os liberais (o que inclui os jacobinos citado por Max Weber em "A ética protestante e o espírito do capitalismo") sentavam à esquerda do rei (assim chamados de esquerdistas). Logo, os principios iluministas liberais tepublicano capitalista eh originalmente um movimento de esquerda.
O termo socialismo em si começou a ficar mais em voga a partir do monarca austríaco Klemens von Metternich em 1847, que junto com demais monarquistas, começaram suas campanhas contra o liberalismo.
O socialismo marxista (socialismo de esquerda) surge apenas a partir da segunda metade de 1800', quando Karl Marx, que inicialmente era liberal capitalista, chegou a conclusão que o problema das sociedades se resumem em conflitos de classes e que por isso, o ideal seria haver uma sociedade sem classes sociais, e consequentemente sem capitalismo.
Veja que tanto o socialismo/comunismo (socialismo limeral) quanto o socialismo classico buscam a estabilidade social. A diferenca eh que o primeiro busca pelo fim das classes sociais/capitalistas e o segundo pelo engessamento das classes sociais.
O socialismo liberal (Socialismo Marxista) eh irmao do Liberalismo capitalista. Ambos são frutos do Iluminismo Britânico e seu princípio no "contrato social" que surgiu com Thomas Hobbes (1651) e em seguida deu fruto ao Liberalismo com John Locke (1689). Ambos sao contra o socialismo conservador, que se opoem a liberdade individual e social tanto do republicano capitalista quanto do anti-estado comunista, socialista e anarquista,
O socialismo, comunismo e anarquismo surge como um novo movimento dentro do liberalismo iluminista, pq foi observado que após a implantação do estado republicano, políticos, classe econômica e capitalistas industriais usavam a máquina pública visando interesses próprios. O exemplo mais claro disso foi com a primeira república instaurada pela Revolução Francesa. O classe capitalista que servia a corte com seus produtos, e que por isso estavam mais próximo dos nobres, foram os que obtiveram o poder e influência no estado após a revolução. O resto da população continuava na miséria sem emancipação econômica e conflitos armados mataram muita gente nessa briga pelo poder. Já países onde houve mais emancipação dos camponeses que viraram proprietários de terras, os movimentos anticapitalista e anti-estado não foram tão fortes e o capitalismo foi melhor aceito pela população em geral (Inglaterra e EUA).
Em resumo, o socialismo original que existe desde os principios da obra "A Republica" de Platao, eh um socialismo conservador e que por isso de direita. Contra tal conservadorismo que na época era Monárquico absolutista e feudal, surgiu o Liberalismo Republicano (esquerda). Mas o primeiro passou a ser a terceira via quando os liberais republicanos se tornaram os conservadores, e então direita, e os opositores esquerda.
Os monarcas e antigos senhores feudais faziam campanhas políticas para conseguir suas terras e poder económico de volta. E em geral eles tiveram muito apoio da classe média (que eram os artesãos na idade média). Era um movimento que buscava voltar ao feudalismo ou da monarquia absolutista (ou ambos) para obter o socialismo conservador de volta (classe social engessada). Pq o iluminismo que culminou no liberalismo, fez com que os donos de terras e artesãos (que se tornaram classe média no capitalismo) perdessem seus privilégios e estabilidade social. Principalmente os artesãos que no feudalismo tinham o mercado protegido pelas guildas mas no capitalismo passaram a ter que competir para não virar classe trabalhadora (pobre). Além de se verem obrigados a fazer dívidas com bancos para conseguir competir, etc… e nessas campanhas surgem movimentos como o pan-europeu, defendendo privilégios sobre terras, poder, mercado e posição social como sendo um direito natural étnico, nacionalista, sanguíneo, etc. E eh dia que comeca a formar o fascismo.
Os estadistas e capitalistas que estão no topo da cadeia social, no capitalismo republicano, começam a fazer campanhas e políticas contra o socialismo clássico que visa o fim da competição individual social liberal.
E para obter o apoio da classe média, começam a oferecer alternativas de estabilidade social como o estado assistencialista ou segregação social (quando não ambos). Essa segregação social é uma forma de garantir a estabilidade social reduzindo a competição social, dando privilégios a certos grupos e segregando outros ao acesso de emergir a tais classes privilegiadas.
O Imperador Prussiano Bismarck que tentou modernizar a Alemanha acabando com o poder dos antigos senhores de terras e as tendência de preferência pelo socialismo clássico da população em geral, implementou o estado de bem estar social em 1883, para obter o apoio da população pelo estado liberal.
A classe média também fazia campanhas para obter apoio da classe operária contra os capitalistas (donos de fábricas) classe econômica (donos de bancos e demais instituições financeiras), pq a classe média (artesãos ou pequenos empresários) não conseguem competir com grandes empresários capitalistas, e viam os bancos (em que os judeus tinham a fama de serem os donos) como parasitas que vivem dos juros das dívidas da classe média.
Essa união entre classe média e operários tende tanto para o estado de bem estar social (democracia social) quanto para o lado que ainda busca a estabilidade social através da segregação social (limitando minorias na competição social). Esse segundo eh de onde vem o fascismo. A carteira de trabalho implementada pelo Mussolini foi a forma de dar maior garantia de estabilidade social aos trabalhadores nacionais e assim aceitarem suas funções/posições operárias.
Em resumo, o fascismo busca a estabilidade social, através da segregação social limitando a competição social (engessando as classes sociais em dificultando minorias em emergir socialmente, gerando então menos competitividade e estabilidade social para as classes privilegiadas). Essas minorias podem ser desempregados, estrangeiros, negros, judeus, etc.
A questão do estado é uma forma de garantir tal estabilidade social através do nacionalismo (limitando direitos e acesso a estrangeiros ao mercado de trabalho) por exemplo. Como também usando a máquina burocrática para beneficiar alguns (militares, políticos, latifundiários, algumas classes de empresários) e limitar outros grupos a competição social com os privilegiados.
Logo, estado inchado e burocratico por si so nao eh fascismo. Isso seria uma falsa correlacao. O estado é só uma ferramenta. O fascismo é a segregação socioeconômica em busca de estabilidad social.
Todo discurso sobre supremacia étnica, nacional, racial, etc, são discursos populistas para ganhar a massa com simplismo, medo, pseudo ciência e mitologias. Por trás de tudo isso está o controle da massa pelo medo da falta de estabilidade social, então transformada em medo social (ao estrangeiro, pobre, negro, judeu, mulheres, movimentos como o feminismo, etc).
O Nazismo em si eh o socialismo prussiano (conservador) em sua forma altamente populista (tentar ganhar apoio popular culpando Judeus e demais estrangeiros pelo desastre econômico pós primeira guerra).
Eu entendo que muita gente associa o comunismo com ditaduras e falta de liberdade, e consequentemente com Nazismo. Como tambem associam capitalismo sendo sinonimo de liberalismo. Mas como a maioria do conhecimento popular, isso eh apenas um emaranhado de correlações falsas populistas.
O liberalismo clássico em si eh contra o "pro business". Adam Smith já dizia que grandes empresários eram uma ameaça ao Liberalismo e democracia, já que quando empresas obtêm grande poder elas passam a ser como um estado ou a manipular o estado. Eh ai que o liberalismo clássico se difere do Neo-Liberalismo ao qual eh "pro-business" com a filosofia de que quanto mais grandes empresários ganham dinheiro mais dinheiro é escoado na sociedade, levando prosperidade econômica a todos..
Por mais que muitos hoje dizem que o capitalismo só funciona quando não tem intervenção governamental, os liberais clássicos viam que governo é importante para que haja capitalismo (diferente dos anarquistas capitalistas). Max Weber mesmo escreveu sobre a teoria do Iron Cage que diz que o crescimento do estado é uma demanda do próprio capitalismo para que o capitalismo possa crescer.
Entao vou repetir a conclusao para ficar claro. Fascismo é: A busca da estabilidade social com a da reducao de competicao social, attavez da segregacao social (engessamento das classes sociais).
Essa estabilide eh principalmente para a elite. Mas a classe trabalhadora pode tambem acreditar que sera privilegiado excluindo/segregando imigrantes e demais minorias. E assim a classe media e trabalhadora podem acabar dando suporte ao fascismo.
Para aqueles que leram até aqui eu agradeco pela atencao e tolerância em buscar conhecer ou entender uma outra perspectiva (Entender um ponto de vista nao eh sinonimo de concordar, e por isso eu não estou esperando que haja concordância).
Eu por exemplo nao gosto e nao concordo com o socialismo conservador, mas eu busquei as obras de Spengler quanto a de Platão para entender melhor o que de fato eh o conservadorismo, socialismo e nazismo. Da mesma forma que eu não concordo com o comunismo, mas eu busquei entender o que é comunismo lendo Marx entre outros (ao qual também existem inúmeras vertentes em que discordam uns dos outros).
Para finalizar com uma última curiosidade. Algo que todos esses sistemas têm em comum, independente de eh contra ou afavor de estado, contra ou a favor da liberdade individual, contra ou a favor do capitalismo, é que todos eles tem como engrenagem a questão do trabalho. Max Weber explica a implicância da "doutrina do trabalho" que vem da ética religiosa que passa a fazer parte do espírito do capitalismo (e seu princípio meritocrático). O socialismo conservador, principalmente em fascismo (e nazismo) tem como princípios o trabalho como forma de liberdade do interesse individual (considerado corrupção social) visando o grandeur da nação. O Comunismo tem como princípio o poder da mão de obra dos trabalhadores como a geração de riquezas ao qual o capitalista extrai riqueza e desejam que os trabalhadores fiquem com tal riqueza.
Mas tem uma vertente comunista chamada comunista autônomo que surgiu na itália, que é contra tal "doutrina do trabalho". Segundo eles, a engrenagem do capitalismo é a doutrina do trabalho e que por isso, o comunismo está fadado a falhar e retornar ao capitalismo pq eles mantêm tal engrenagem.
Diante disso surge o movimento anti-trabalho (ou anti-trabalhista), ao qual eu não conheço muito mas estou em busca em aprender (e compreender mesmo que se não concordar).
Eu não sou historiador, acadêmico, youtuber e nem intelectual. Por isso, eu espero que esse thread desperte a curiosidade para que vcs continuem interessado e pesquisando para buscar mais compreensão e correção do que eu possa ter mal interpretado ou compreendido (mesmo não concordando).
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2020.03.27 17:37 TeresaFMendes Apoio pedagógico a docentes para formação em regime de Learning

Perante a quarentena exigida às escolas e universidades pela covid-19, foram disponibilizadas plataformas para ensino à distância, e muitos docentes já as utilizam.
No entanto, a falta de formação e de preparação destes docentes, não menosprezando o seu esforço e boa vontade, faz com que não se aproveite todo o potencial que o ensino à distância pode trazer ao ensino e à aprendizagem ao se "clonar" o método presencial, baseada em palestras, para o ambiente online.
É talvez altura de se ousar uma inovação, embora se tenha de ultrapassar uma resistência por parte dos docentes.
Para exemplificar, e no espirito de entreajuda nesta fase difícil, junto envio um texto - correspondência online - que explica resumidamente um método de ensino à distância com grandes vantagens para todos os intervenientes.
Fico ao dispor para esclarecimentos e até acompanhamento de "instructional designer" para quem o solicitar.


"Olá professor
Fico satisfeita de ver feliz por uma boa causa. Isto da quarentena é um tédio para os mais afoitos. A razão do meu “oferecimento” é assim principalmente por sobra de tempo e de desafios intelectuais.
Pelo que, analisando a sua descrição, vejo praticas interessantes, aulas virtuais para grupos pequenos, mas … não será pouco eficiente dar a mesma aula 3 ou 4 ou 10 vezes?
Claro que, nessas condições a relação entre professor e alunos se estreita, o que é bom, mas pouco sustentável, para além de que se perde muito "tempo de professor” em logística.
Sendo assim, e porque fui completamente surpreendida pela eficácia de uma metodologia para curso online exclusivamente assíncrono, que me convenceu que a minha percepção de décadas como formadora estava completamente errada, vou ousar sugerir-lhe que complemente a sua abordagem de grupos pequenos com este método assíncrono que potência o networking e a aprendizagem dos alunos com os seus colegas (e já sabe o que penso sobre este tema, particularmente no nosso curso).
A motivação é fácil de explicar: os alunos aprendem tanto com o professor, como como o auto-estudo, como com os seus colegas. Deixo-lhe livre colocar as respectivas percentagens mas o método sugere 1/3, 1/3, 1/3.
O ovo de colombo deste método, (para além da optimização do tempo/custo do professor) é a de estabelecer grupos de alunos “fechados” com 8 a 12 pessoas, para ter massa critica, escolhidas aleatoriamente ou a gosto (temas), tantos grupos quantos os necessários. O trabalho é desenvolvido para um grupo de 8-12 e todos os grupos funcionam com o mesmo conteúdo e método de forma mais ou menos “estanque”.
No meu caso, esta foi uma das características mais interessantes do curso, pois mesmo sendo “estanque” todos poderíamos ir “espreitar” o trabalho dos outros grupos (por exemplo o que o aluno com mesmo numero de grupo que eu teria respondido). Isso criou pontes entre os vários grupos (como por exemplo o de Portugal e o do Brasil), onde se discutia inclusivamente a dinâmica de grupo face a uma cultura parecida em contraste com o grupo do Japão, com cultura completamente diferente. Entre o grupo de Portugal e do Brasil decidimos criar o papel de “relator” (aliás “espião” hehe) onde, à vez, rotativo cada semana, alguém do grupo escrevia um relatório sobre o que de mais interessante havia passado no outro grupo (particularmente se não tivesse sido discutido no nosso grupo). Esses dois relatórios eram partilhados entre os dois grupos. No meu curso havia mais de 20 grupos e obviamente não há tempo para “espreitar” todos eles.
E este exemplo mostra a segunda característica principal do método: uma abordagem de trabalho colaborativa (amigo não empata amigo, e toda a contribuição é bem vinda), e não uma abordagem cooperativa, que são o que chamamos habitualmente trabalhos de grupo (quando um falha alguém tem de compensar para que o trabalho fique completo). (ver nota 1)
Qual o papel do instructional designer? Trabalhar com o professor e adaptar os conteúdos. Basicamente é o seguinte:
- A partir do plano de aulas (semanais) - solicitar que o professor grave em video de uma hora para cada aula. (o video tem de ser gravado com uma distancia curta que dê a impressão de conversa olhos-nos-olhos).
- Distribuir ao aluno um conjunto de textos - escrito pelo professor (powerpoint, white paper) sobre o mesmo tema, assim como as leituras obrigatórias e também facultativas (para alunos que se interessem em particular por esse tema).
- Desenhar um conjunto de 8-12 perguntas abertas, que abranjam todo o conteúdo (obrigatório) da aula. As perguntas terão de ser abertas, e feitas de forma a solicitar a partilha de uma experiência pessoal parecida com o exposto, a comparação de duas coisas, a elaboração de pontos fortes e fracos face a uma situação existente (o caso concreto do aluno) ou sugerida, etc. Cada aluno responde exclusivamente a uma das perguntas, (máximo 200 palavras) a que corresponde ao seu # de aluno no grupo, e todas as respostas ficarão visíveis para todo o grupo.
- É mandatório que cada aluno escolha uma resposta de um colega e lhe dê feedback (máximo 200 palavras) . Esta dinâmica tem um efeito exponencial. ao fim de 3 semanas , já todos os alunos interagiram com todos os outros, pois na primeira semana, já interagimos com um colega e, se a nossa resposta foi interessante alguém interagiu connosco e assim a “conversa” flui”.
- Pela enorme quantidade de interacções assim desenvolvidas, o método inclui também a definição à partida de um membro do grupo, (tarefa rotativa), de fazer um resumo da semana e principalmente que coleccione os links sugeridos e debatidos pelos colegas. Esse documento semanal é extremamente interessante e a regra é que cada link terá de ser classificado numa categoria, ter a data em que foi acedido, quem o sugeriu e 3 linhas descritivas desse autor sobre porque o sugeriu. Nós chamámos a esta tarefa o “colaboratorium”.
- Este método implica um esforço do aluno entre 4 a 6 horas semanais. No mínimo,uUma hora para ver o video, duas horas para ler os textos, 40 minutos para escrever a resposta à sua pergunta e 20 minutos para escolher e dar o feedback a um colega. A semana começa à quarta-feira com a disponibilização das perguntas, leituras obrigatórias e facultativas e dos “papeis” que cada aluno deverá desempenhar nessa semana e a interacção fecha à meia noite da terça feira da semana seguinte. Os videos semanais podem estar todos disponibilizados antecipadamente.
- A avaliação é por feita pr participação. Quem cumprir as regras das semanas, passa, quem não consegue cumprir as regras (durante duas semanas) não passa (aliás desiste). Para os que o desejarem poderá haver um trabalho final, classificado, com uma dimensão máxima de palavras, e cujo tema é escolhido pelo próprio aluno e aprovado pelo professor . (Penso que este formato, participação e trabalho final, seria adequado ao seu curso neste mestrado).
- Durante o curso o professor tem acesso a todos os conteúdos, mas nunca intervém.
- De referir que o principal problema é tecnológico. problemas de firewall, acessos etc, pelo que terá de existir um HelpDesk informático, mas não de conteúdo. às vezes é necessário um “moderador” para impedir relações “toxicas” entre os alunos.
- Tem de ser escrito um documento inicial para os alunos para disciplinar a comunicação, e forçar a sua implementação, senão é o caos. (nota 2)
De referir ainda a componente lúdica que esta abordagem proporciona. Eu, mesmo depois de ter treinado o trabalho da semana, diariamente, antes de ir trabalhar, ligava-me à plataforma, e, antes de sair, voltava a ligar-me, para ver o que tinha acontecido entretanto. Há colegas interessantíssimos, outros absolutamente idiotas que são “insultados” com a mais fina “netettiquete”, outros com os quais ficamos amigos, outros que nos surpreendem com as suas capacidades de organização e empatia e os brasileiros eram simplesmente hilariantes. O (senhor professor) japonês fez harakiri virtual (em português chama-se “birra”) no fim do curso, quando ninguém quis trabalhar com ele (na tal componente cooperativa).
Bom, e assim matei duas horas de tédio. :)
Espero que tenha gostado e que possa tirar ideias para o seu curso.
Um beijo à distancia
Teresa
Nota 1: também estudamos o método cooperativo, mas foi tão difícil e conflituoso que realmente não vale a pena.
Nota 2: na ultima semana do meu curso a professora retirou todas as regras (que todos já conhecíamos) e … foi o caos. Eu desisti de trabalhar nessa semana- fiz a minha parte e pronto. Mais ilustrativo não podia ter sido."
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2019.12.17 01:32 lilvalgreen Síndrome do Pânico

Todos sabemos que só existe uma coisa inevitável, a morte. Como você se sentiria pensando nisso 90% do seu tempo?
Essa é a minha realidade, e possivelmente a de muitas outras pessoas. Desde pequeno eu era muito ansioso, isso me atrapalhava mas nada grave, as coisas ficaram realmente ruins no meu primeiro emprego/estágio da vida. Eu havia me tornado Analista de Sistemas em uma empresa nacional muito valorizada, na época considerada a melhor empresa para se trabalhar no meu estado via indicativos de satisfação dos colaboradores registrados pela GPTW (Great Place To Work, ou em português, Grande Lugar Para se Trabalhar).
Sou diabético desde os 3 anos por uma disfunção, isso me faz parar no hospital diversas vezes durante minha infância, meu irmão mais velho também é, então creio que não sofri como ele por ter sido o primeiro. Ao começar no trabalho eu comecei a me sentir um pouco estranho, sofria de pressão baixa e não sabia (provavelmente por causa da diabetes descontrolada), trabalhava em meio ao ar condicionado (na direção dele) e a saída do trabalho era em uma praça muito quente. Eu também trabalhava no 19º andar e creio que toda essa mudança térmica e de altitude culminava em impactos diretos na minha pressão arterial.
Comecei a desenvolver uma certa alergia ao ar condicionado, sentia dores no peito, constantemente meu nariz entupia, sentia um gosto estranho na boca, sentia tontura por causa da pressão baixa, sonolência pois não dormia direito, estagiava pela manhã e de noite ia para faculdade (do outro lado da cidade). Sentindo falta de tempo para ir ao médico, comecei a consultar o "Dr. Google" onde quase todas as pesquisas de sintomas te revelava as piores doenças possíveis (câncer e por aí vai).
Me tornei hipocondríaco, creio que depois disso comecei a sentir coisas que eu nem estava de fato sentindo, era psicológico e cada vez mais eu me convencia que estava morrendo. Ao me abrir com os meus pais eu desabei, disse que pediria demissão, largaria a faculdade e que ia cuidar de mim mesmo. Após muitas conversas e indo contra a vontade de meu pai eu larguei "o estágio dos sonhos", porém continuei na faculdade (eu era bolsista do PROUNI).
Apesar de ir ao médico eu não fazia qualquer tipo de terapia ou visitava o psiquiatra, apenas fiz uma bateria enorme de exames (inclusive neurológicos), até me convencer que eu não estava doente. Porém não fazer terapia tinha sido um erro, pois eu tinha alguns ataques de ansiedade isolado, mas na época ainda não sabia dizer do que se tratava.
2 a 3 meses após deixar o estágio, durante a uma conversa normal com os meus colegas de faculdade eu tive uma crise de estresse misturada com ansiedade que elevou minha pressão do normal dela 10/6 para 19/12. Nesse dia eu quase desmaiei e foi terrível, graças aos meus amigos a Bombeira que trabalha na faculdade me salvou entrando em contato com meus pais e me encaminhando para o Pronto Socorro da Unimed, onde após vários exames cardiológicos fui diagnosticado com um caso de estresse excessivo.
Depois disso minha vida nunca foi a mesma, desenvolvi síndrome do pânico e fui posteriormente diagnosticado com TAG, distúrbio de ansiedade generalizada. Não consegui fazer mais estágios e formei apenas com o tempo de experiência do que fiz (menos de 6 meses).
Depois de formado eu fiquei cerca de 8 meses completamente estagnado, as únicas coisas que eu fazia era tomar meus remédios, jogar e dormir, este ciclo se repetia toda semana. Um belo dia resolvi não tomar mais os remédios e fui diminuindo aos poucos, um mês após largar os remédios tive dengue e naquela semana minhas plaquetas diminuíram de forma considerável, ao cogitar que eu poderia morrer minha vida veio à tona novamente o que resultou em uma grande crise de ansiedade, no final de julho deste ano.
Me senti como na época da síndrome do pânico, talvez um pouco menos pior por ter sido a segunda vez, chorava vários dias me perguntando por quê eu era daquela forma e por quê eu tinha que passar por tudo aquilo. Levei cerca de dois meses e meio para me recuperar parcialmente, a ponto de exercer minhas atividades sem limitações.
Em outubro, um amigo de longa data de meu pai me arranjou um emprego na empresa de Tecnologia dele, para mim eu estava me superando em todos os quesitos, havia mudado meu pensamento e saído do ócio, estava estudando programação feito um louco! Porém ele tinha o perfil de um empresário e não de Recursos Humanos, o problema disso é que ele mesmo fez a entrevista comigo em vez do RH, explicando de forma muito falha a minha função na empresa. Ao chegar para trabalhar me deparei com um serviço aparentemente pesado que envolvia plantões, horários aleatórios para trabalhar e viagens para cidades do interior a serviço de clientes, isso fez com que minha ansiedade saísse completamente do eixo e eu pedi demissão no terceiro dia de trabalho.
Não me arrependo de ter saído, o estresse foi tanto durante esses três dias que tive que suspender a diminuição dos remédios que meu psiquiatra havia recomendado. Me doeu muito o fato de ter pedido conta, me fez lembrar de quando eu pedi conta do meu estágio e o quão decepcionante aquilo foi para mim na época.
Algumas semanas se passaram e conheci uma garota que me seguia a anos no Instagram, ela era de uma igreja próxima ao meu bairro e eu fiquei maravilhado com ela, não só pela beleza mas por tantos projetos sociais que ela participava e a forma que ela se empenhava em estudar. Fui pegando intimidade com ela e quando percebi já conhecia todas as pessoas da casa dela e mais algumas de fora como o cunhado dela, algumas tias e amigos.
Perante a essa paixão minha ansiedade não se conteve novamente e eu acabei dizendo a ela bem precoce que gostava dela, ela parecia ter um certo interesse em mim, mas daqueles de ter uma noite divertida e parar naquilo. O resultado foi um fora que me desestruturou um pouco, eu segui firme participando da igreja e indo com ela em lugares que ambos frequentávamos, como por exemplo o clube. Certo dia falei novamente com ela que gostava dela e ela me revelou que estava disposta a me dar uma chance.
O resumo dessa história foram dois dias que saímos juntos, uma vez para o cinema e outra vez em uma parte histórica da cidade, foi lindo ambas as vezes, minha memória recorda e chega a doer. Parecia tudo ótimo, mas não era bem assim, eu me esforçava para ter a atenção dela, estava sempre fazendo coisas incríveis como bolando presentes feitos a mão, desenhos, textos, poesias, tenho um livro em produção e criei um personagem para ela, a ajudei a fazer trabalhos dela relacionados a tecnologia. Para piorar eu estava criando vinculo com o pessoal da igreja e eu estava sofrendo com ela, pois percebia que as pessoas que criei vinculo, inclusive da família dela me davam mais atenção do que ela própria.
Um dia, após sair com as amigas e me deixar no vácuo, houve uma confraternização na igreja, onde ela mal conversou comigo, ao final chamei ela para fazer algo e ela argumentou que estava cansada. Já estava chateado com a situação e acabei deixando os grupos da igreja, ela me procurou para saber o que se passava e se desculpar pela falta de atenção. Achei ser uma boa oportunidade para expor como eu estava me sentindo com tudo e tentar ver se podíamos melhorar, como ainda não namorávamos eu fui total simples nas palavras e sutil, falei nada que pudesse soar como um compromentimento ou autoridade sobre ela.
Ela levou mais de 14 horas para me responder, e bem, a resposta foi um fora. Eu não estava surpreso com a resposta, porém fiquei arrasado, isso aconteceu ontem no Domingo (15/12/2019), fiquei sem rumo pois sou muito sentimental e não vejo como continuar frequentando a igreja sem alimentar um desejo ou mágoa por ela, fazendo com que aquele alicerce de pessoas que eu estava criando naquele lugar desmoronasse.
Para piorar sou frustrado profissionalmente, por não ter muita experiência em estágios não consegui atuar na minha área, meu pai é uma pessoa que possui certo dinheiro, porém tenho 24 anos e não acho que seja obrigação dele financiar uma faculdade para mim (até por isso estudei para conseguir bolsa na primeira), meu plano seria juntar dinheiro e começar outra faculdade para poder estagiar e adquirir experiência na minha área (não necessáriamente formar no curso, queria experiência do estágio e assim que me tornar um profissional Jr. trancar o curso e partir para uma pós graduação).
Para isso me sujeitei a trabalhar de faz-tudo numa fábrica de camisas, sendo que o final e início de ano são as épocas de maior fluxo de venda da empresa. Estou trabalhando de auxiliar administrativo, estoquista, vendedor, vendedor de e-commerce e as vezes até´mexo com algo de programação. Me sinto infeliz neste lugar, o salário não é bom, as condições de trabalho não são boas e o único benefício é o vale transporte em dinheiro. Sinto grande ansiedade no trabalho, o tempo parece arrastar, o trabalho parecer ser árduo e a fábrica fica em um lugar de classe baixa da cidade, o que me dá uma sensação de insegurança.
Não consigo me desligar no trabalho em casa, nem nos finais de semana, pensamentos da síndrome do pânico me atormentam, penso que um dia meus pais vão morrer, que eu irei morrer e isso fica me martelando de uma forma ruim. Penso na menina, nos poucos momentos bons que tivemos e no que me sujeitei a fazer por ela, penso nos meus amigos da igreja (para piorar a dona da empresa é da igreja e fica tocando músicas da igreja no meu trabalho o que me faz lembrar dela, as pessoas também ficam me dizendo que me viram na igreja ou em fotos da mesma em redes sociais).
Fico me perguntando se o meu problema é trabalhar, se eu não levo jeito para isso e obviamente fico péssimo pensando nisso porque trabalhar é o mínimo da dignidade, todo mundo quer trabalhar para ter seu dinheiro de forma digna (exclui-se meliantes desse comentário). E tudo isso citado me atinge enquanto estou trabalhando.
Meu sonho é ter paz mental, conseguir parar de tomar meus remédios, me tornar um bom profissional sem que o emprego pareceça uma grande tortura (inclusive estudei muito até entrar nesse trabalho para ficar fera no básico de programação front-end), e viver, sem me preocupar tanto em quando e como vou morrer, já que isso é algo natural e sem escapatória, ser independente para me sentir seguro comigo mesmo.
Este é um grande texto, iniciado as 10:00 mas terminado agora, pois me pegaram escrevendo ele no emprego e fui chamado àtenção. Senti a necessidade de colocar minha vida para fora, de alguma forma tenho a necessidade de me expor para as pessoas, não sei de onde desenvolvi isso e acho prejudicial... Mas aqui posso fazer de forma anônima.
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2019.11.12 21:42 xi_save_earth Um guia para o golpe boliviano de 2019 (tradução automática)

Conteúdo original de https://pastebin.com/WWKsnBqR.
Reuni isso para combater os argumentos que tenho visto com mais frequência em relação ao golpe contra Evo Morales na Bolívia.

Reivindicação 1: Evo encheu o tribunal cheio de partidários para que ele pudesse se tornar presidente vitalício

Em 2016, foi realizado um referendo para determinar se Evo Morales seria capaz de concorrer à reeleição. Ele perdeu por pouco este referendo.
Evo Morales concordou em cumprir os resultados do referendo de 2016, impedindo sua candidatura à reeleição até o Supremo Tribunal reverter a decisão.
https://www.lostiempos.com/actualidad/pais/20171129/tribunal-constitucional-avala-reeleccion-indefinida-evo-morales
Muitos estabelecimentos ocidentais alegaram que Evo Morales lotou a corte para manter o poder. No entanto, esta afirmação é questionável.
A constituição boliviana de 2009, aprovada por referendo, especifica o processo pelo qual uma pessoa é submetida ao Supremo Tribunal Federal. Você pode ler a constituição completa aqui: https://web.archive.org/web/20090521023641/http://www.presidencia.gob.bo/download/constitucion.pdf
O processo é o seguinte: Os candidatos ao tribunal constitucional são pré-selecionados pela Assembléia Legislativa. Há um juiz correspondente a cada um dos nove departamentos (estados) da Bolívia. Cada estado vota em seu juiz e o vencedor do voto popular é colocado na quadra.
É absolutamente desonesto agir como se o processo de seleção boliviano fosse menos democrático do que o que existe na grande maioria do mundo. Nos Estados Unidos, os juízes da Suprema Corte são selecionados por uma pessoa (o presidente, que nem precisa ter ganho um voto popular em todo o país) e aprovados sem nenhuma contribuição dos cidadãos pelo Senado (a câmara do Congresso que menos reflete a popularidade vontade, pois é independente da população).
Evo está no poder desde 2006. Embora seja uma quantidade decente de tempo, não vamos esquecer que Angela Merkel é a chefe do ramo executivo da Alemanha desde 2005, e ninguém está questionando seu mandato.

Reivindicação 2: a eleição de 2019 foi cheia de irregularidades ou fraudada

Essa narrativa foi perpetuada pela OEA e por grupos de oposição na Bolívia sem provas.
A primeira alegação de irregularidades eleitorais foi publicada em um comunicado de imprensa da OEA (https://www.oas.org/en/media_centepress_release.asp?sCodigo=E-085/19). A reivindicação deles:
A Missão da OEA manifesta sua profunda preocupação e surpresa com a mudança drástica e difícil de explicar na tendência dos resultados preliminares revelados após o encerramento das pesquisas.
Às 19:40 do domingo, 20 de outubro, o TSE divulgou os resultados do TREP. Esses números indicavam claramente uma segunda rodada, uma tendência que coincidia com a única contagem rápida autorizada e o exercício estatístico da Missão. Nossas informações foram compartilhadas hoje com o TSE e o Ministério de Relações Exteriores.
Às 20:10, o TSE parou de divulgar resultados preliminares, por decisão do plenário, com mais de 80% dos votos contados. 24 horas depois, o TSE apresentou dados com uma inexplicável mudança de tendência que modifica drasticamente o destino da eleição e gera uma perda de confiança no processo eleitoral.
Para entender essa situação, é preciso primeiro entender o sistema eleitoral da Bolívia. Essa análise estatística, conduzida pelo Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington DC, fornece uma boa visão geral do sistema eleitoral: http://cepr.net/images/stories/reports/bolivia-elections-2019-11.pdf?v=2
Há potencialmente duas rodadas nas eleições presidenciais da Bolívia. Um candidato que recebe mais de 50% dos votos, ou pelo menos 40%, com 10 pontos percentuais de vantagem sobre o vice-campeão no primeiro turno, é declarado vencedor. Se nenhum candidato atender a um desses requisitos, os dois candidatos com mais votos deverão se enfrentar nas eleições de segundo turno.
...
O TSE possui dois sistemas de contagem de votos. O primeiro é uma contagem rápida, conhecida como Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP, a seguir denominada contagem rápida). Este é um sistema que a Bolívia e vários outros países latino-americanos implementaram seguindo as recomendações da OEA. Foi implementado para a eleição de 2019 por uma empresa privada em conjunto com o Serviço de Registro Cívico (SERECÍ), o serviço de registro civil, e foi projetado para fornecer um resultado rápido - mas incompleto e não definitivo - na noite das eleições para dar aos meios de comunicação uma indicação da tendência de votação e informar o público. É improvável que o TSE processe 100% dos resultados na contagem rápida de votos em todo o país devido a limitações logísticas e a quantia processada pode variar amplamente de acordo com a geografia e o tipo de votação. Por exemplo, no referendo constitucional nacional de 2016, processou 81,2% dos resultados antes de realizar uma conferência de imprensa por volta das 18h15. na noite da eleição. Os resultados do referendo autônomo de 2016 foram divulgados para cada jurisdição, com 66,7 a 100% dos resultados processados ​​às 19h30. na noite da eleição. Nas eleições judiciais de 2017, uma Missão de Especialistas Eleitorais da OEA elogiou o desempenho do sistema de contagem rápida por divulgar os resultados em 80%, por volta das 21h30.
O segundo sistema de contagem de votos é a contagem oficial (ou cómputo), que é juridicamente vinculativa sob a lei boliviana. A contagem oficial é mais completa e precisa e leva mais tempo. É o único sistema válido de contagem de votos, e o TSE o utiliza para determinar e anunciar os resultados finais das eleições.
Após a conclusão da votação, as cédulas individuais são contadas nas estações de voto e agregadas em actas ou folhas de registro. Para a contagem rápida não vinculativa, os resultados das folhas de registro são enviados aos operadores de verificação SERECÍ por meio de um aplicativo móvel, juntamente com fotos das próprias folhas. As fichas de registro são então enviadas fisicamente para um Tribunal Eleitoral Departamental (TED), onde as informações são verificadas e inseridas na contagem oficial.
O mesmo relatório também indica que o salto nas votações observado pela OEA não era apenas estatisticamente possível, mas provável. A interrupção nas transmissões do TREP ocorreu porque demorou mais tempo para a votação rural chegar. De qualquer forma, nenhuma irregularidade ocorreu na contagem oficial.
Além disso, uma análise das pesquisas de opinião na Bolívia antes das eleições parece mostrar resultados semelhantes. Pesquisas entre eleitores elegíveis mostraram que Evo recebeu entre 42,8 e 51,9% dos votos contra 25,6 a 34,3% de Mesa: https://www.as-coa.org/articles/poll-tracker-bolivias-2019-presidential-race
Os resultados oficiais das eleições, se é que mostram alguma coisa, mostram um leve impulso para Mesa, com Morales recebendo 47,08% e Mesa recebendo 36,51% dos votos. Esses resultados não são muito diferentes das pesquisas anteriores à eleição.
No entanto, no domingo, a OEA divulgou sua auditoria das eleições e recomendou uma nova eleição. Reservei um tempo para ler esta auditoria e determinar quais eram as suas queixas. Você pode encontrar o texto dessa auditoria aqui (em espanhol): http://www.oas.org/documents/spa/press/Informe-Auditoria-Bolivia-2019.pdf
Suas queixas, resumidas:
Criticou a segurança e o procedimento dos sistemas de computador, tanto para a contagem rápida quanto para a oficial, incluindo reclamações sobre como foi testado, configuração do servidor e controles de acesso ao software.
O redirecionamento de transmissões de certas máquinas na contagem rápida TREP para um servidor externo não reconhecido.
Uma análise de várias irregularidades relatadas constatou que 23% delas eram credíveis.
A OEA reconheceu a dificuldade de verificar os resultados nos municípios de Chuquisaca, Beni, Pando, Potosí e Santa Cruz devido à destruição de cédulas e equipamentos eleitorais. [NOTA: essa destruição pós-eleitoral do material eleitoral ocorreu durante protestos organizados pela oposição de Morales por manifestantes antigovernamentais https://www.thenation.com/article/bolivia-elections-morales/]
Faltava segurança processual das eleições em vários distritos (regras que não são seguidas pelos funcionários eleitorais locais)
Em conseqüência, a OEA concluiu:
A equipe de auditoria não pode validar os resultados da presente eleição e recomenda outro processo eleitoral. O processo futuro deve contar com novas autoridades eleitorais para poder realizar eleições confiáveis.

Reivindicação 3: Este não é um golpe, mas uma restauração da democracia

Quando os resultados desta auditoria foram divulgados, Evo Morales concordou imediatamente com uma nova eleição com uma nova comissão eleitoral. Apesar disso, os líderes da oposição Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho exigiram a renúncia de Evo e o impedimento de sua participação nas novas eleições. https://www.theguardian.com/world/2019/nov/10/evo-morales-concedes-to-new-elections-after-serious-irregularities-found
Essa é uma demanda ... interessante: como a auditoria da OEA não encontrou evidências de manipulação por parte do governo Morales ou de seu conselho eleitoral, eles apenas encontraram falhas que poderiam ter sido manipuladas e sua recomendação era que o governo investigasse essas falhas e determinasse a responsabilidade. Exigir uma renúncia do Presidente parece uma postura bastante rígida nesse cenário.
Horas após esse anúncio, vários generais realizaram uma conferência de imprensa na qual pediram a Morales que renunciasse à presidência. Evo cedeu às suas demandas logo depois, concordando em renunciar como presidente para "garantir a paz social".
https://elpais.com/internacional/2019/11/10/actualidad/1573386514_263233.html
Autoridades policiais e militares começaram a prender funcionários da Suprema Corte, funcionários do Tribunal Eleitoral e políticos do partido MAS depois que Evo renunciou.
https://www.notimerica.com/politica/noticia-bolivia-detenidos-25-miembros-tribunales-electorales-irregularidades-comicios-presidenciales-20191111172213.html
Houve um colapso civil, com apoiadores de ambas as partes atacando casas e prédios do governo. A casa de Evo Morales foi arrombada e saqueada. A embaixada da Venezuela na Bolívia também foi demitida.
https://www.clarin.com/mundo/atacaron-casa-evo-morales-cochabamba-saqueos-varias-ciudades-bolivia_0_6zbi-rOV.html
Os líderes da oposição entraram no palácio do governo ainda no domingo, incluindo Luis Fernando Camacho. A Wiphala (bandeira indígena que se tornou a bandeira secundária da Bolívia) foi derrubada. Um dos participantes (um pastor) colocou uma Bíblia na bandeira boliviana e disse: “A Bíblia voltou ao palácio. O Pachamama nunca mais voltará. ”O Pachamama é uma deusa importante do povo indígena da Bolívia.
https://www.jornada.com.mx/ultimas/mundo/2019/11/11/nunca-mas-volvera-la-pachamama-al-palacio-de-gobierno-en-bolivia-3923.html
O próprio Camacho é um ex-membro da União da Juventude de Santa Cruz, que, de acordo com Max Blumenthal, é uma organização nacionalista de direita explicitamente envolvida em violências anti-Morales e anti-indígenas.
https://thegrayzone.com/2019/11/11/bolivia-coup-fascist-foreign-support-fernando-camacho/
Os militares e a polícia já declararam que iniciarão operações para restaurar a ordem na cidade de El Alto. El Alto tem sido historicamente um local de protesto indígena e é uma área que apoia Evo Morales.
https://www.france24.com/es/20191112-bolivia-choques-policia-evo-mortales
Quase todos os políticos na linha de sucessão imediata deixaram o cargo ou foram presos após a remoção de Morales. Isso inclui Alvaro Garcia, ex-vice-presidente, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra (ambos membros do MAS). Jeanine Añez, líder da oposição no Senado, reivindicou o papel de presidente interina. Em outras palavras, o líder do partido minoritário na câmara alta assumiu o controle do poder executivo, apesar de o mandato de Morales das eleições de 2014 o ter mantido no cargo até janeiro do próximo ano, quando o próximo presidente seria ser inaugurado.
https://www.elpais.com.uy/mundo/renuncia-evo-morales-quedara-cargo-bolivia.html
Morales procurou asilo no México e chegou lá hoje. Jeanine Añez disse que o único objetivo de seu governo de transição é promover novas eleições, mas ainda não foi definida uma data. As duas casas do Congresso ainda precisam confirmar sua presidência.
https://www.bbc.com/news/world-latin-america-50383608
No que diz respeito a um golpe, não importa realmente se a auditoria da OEA é precisa na avaliação da fraude eleitoral.
Evo Morales concordou imediatamente em atender ao pedido e só se demitiu depois que os militares o pediram. Definitivamente, isso é um golpe de estado e é altamente incomum que não esteja sendo relatado como tal, especialmente porque atualmente não há presidente em exercício, mas os militares já começaram ações de execução unilateralmente em El Alto.

Bônus: Esta é obviamente uma operação apoiada pelos EUA, certo?

A análise histórica básica leva a suspeitar do envolvimento dos EUA de uma forma ou de outra, mas é importante poder apoiar essas alegações com evidências.
Recentemente, uma série de gravações de áudio vazadas parece ter fornecido as primeiras evidências claras de envolvimento externo na Bolívia. 16 gravações de áudio sugerem que figuras do governo americano, colombiano e brasileiro falaram e apoiaram líderes da oposição boliviana em seu objetivo de remover Morales do poder. Os senadores norte-americanos Marco Rubio, Bob Menendez e Ted Cruz são todos mencionados pelo nome. Os planos descritos nas gravações de áudio vazadas incluem a queima de casas de políticos e o ataque à embaixada cubana.
https://elperiodicocr.com/bolivia-filtran-audios-de-lideres-opositores-llamando-a-un-golpe-de-estado-contra-evo-morales/
Marco Rubio já havia twittado expressando preocupação com as eleições bolivianas logo após as eleições, antes que a OEA emitisse sua declaração de preocupação com as eleições. Rubio escreveu seu tweet às 10h12, enquanto o relatório da OEA era publicado por volta das 21h.
https://twitter.com/marcorubio/status/1186284033178767361 https://twitter.com/OAS_official/status/1186456799089692673
Donald Trump aplaudiu o exército boliviano por remover Evo Morales, chamando sua renúncia de "vitória para a democracia". https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-president-donald-j-trump-regarding-resignation-bolivian-president-evo-morales/
O Grayzone informou sobre ligações entre membros da oposição boliviana e agentes de mudança do regime de inteligência dos EUA. O fundador da Rios de Pie, uma organização supostamente ambientalista, tem vários vínculos circunstanciais com a CANVAS, um grupo vinculado à CIA que esteve envolvido em várias operações de mudança de regime. Não é uma prova concreta de nada, mas é suspeita. https://thegrayzone.com/2019/08/29/western-regime-change-operatives-launch-campaign-to-blame-bolivias-evo-morales-for-the-amazon-fires/
Edit: Yuri Calderón (o general que exigiu a renúncia de Morales) trabalhou como adido militar em DC em 2013, e com a APALA (Polícia Agregada da América Latina), com sede em DC.
https://twitter.com/jebsprague/status/1193986589749211136?s=21
Não posso dizer com absoluta certeza que os EUA estiveram envolvidos nesse golpe, mas as considerações históricas e as evidências circunstanciais correspondem a um padrão de operações anteriores de mudança de regime apoiadas pelos EUA em um grau significativo.
Independentemente da sua opinião sobre Evo Morales e se a eleição é questionável, há boas razões para se preocupar com a situação na Bolívia, especialmente para as populações indígenas que historicamente enfrentam violência e opressão racistas. Já vimos atos destrutivos contra símbolos indígenas e os vínculos entre os golpistas e grupos de extrema-direita são significativos.ência, a OEA concluiu:
A equipe de auditoria não pode validar os resultados da presente eleição e recomenda outro processo eleitoral. O processo futuro deve contar com novas autoridades eleitorais para poder realizar eleições confiáveis.
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2019.08.04 02:52 altovaliriano Os primeiros dias do fandom de ASOIAF e Game of Thrones

Link: https://bit.ly/2KtExQJ
Autora: Alyssa Bereznak
Título original: The Last Popular TV Show (How game of Thrones became the last piece of monoculture)

Padraig Butler não se lembra exatamente quando se tornou Deus-Imperador da Brotherhood Without Banners. Nos últimos 18 anos, o gerente demeteorologia aeronáutica de 43 anos fez uma peregrinação anual à Worldcon, a convenção de ficção científica e fantasia, para celebrar o trabalho de George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi quase 18 anos atrás, quando ele viajou pela primeira vez de sua cidade natal, Dublin, na Irlanda, para a Filadélfia, que começou a jornada até Imperador-Deus.
Segundo a história, a recém-criada organização - batizada em homenagem a um grupo fora da lei na série de livros - organizou uma festa em homenagem a Martin. Depois de uma noite de bebedeira, um fã bem satisfeito, conhecido em fóruns online como Aghrivaine (e cujo nome real é David Krieger), presenteou o autor com uma espada e pediu para ser armado cavaleiro. O autor concordou sob uma condição: que Krieger e os outros foliões se juntassem a ele em uma "missão" às 1 da manhã ao Pat’s King of Steaks. Naquela noite, depois que cerca de 20 membros da BWB encheram seus estômagos com a comida local, eles foram apelidados de Cavaleiros do Cheesesteak.
Nos primeiros anos do clube de fãs do livro, quando o tamanho dos encontros da Brotherhood Without Banners ainda era administrável, esses títulos voltados para a comida se tornaram um símbolo de honra. (Os Cavaleiros da Poutine, os Cavaleiros do Deep Dish, os Cavaleiros do Haggis e, lamentavelmente, os Cavaleiros da Lixeira). Por decreto de Martin, foram acrescentadas outras honras para reconhecer a participação. Um membro que tivesse participado de pelo menos três grandes encontros da BWB seria apelidado de lorde. Depois das cinco, um príncipe. E depois de sete, rei. Butler já esteve em 16 Worldcons e cerca de 100 outras convenções relacionadas a Thrones e confraternizações pertinentes, protegendo seu reino há muito tempo por meio de seu título de cavaleiro do Cheesesteak. "Eventualmente perguntaram a George, de que chamaremos Padraig agora?" Butler lembra. "Ele disse: ‘É isso. Ele é um rei. Ele vai ficar rei até que alguém o remova do trono’”. Butler não tem planos de parar. "Agora as pessoas apenas dizem: 'Você é o Imperador-Deus'".
Butler visitou um total de 12 países e quatro continentes para se encontrar com seus companheiros de estandarte, construindo uma rede social internacional digna de um líder mundial consagrado. E graças a uma junção de tecnologia e entretenimento, a série de livros indie pela qual ele se apaixonou nos anos 90 se tornou uma espécie de passaporte cultural, tanto uma razão para ver o mundo quanto uma maneira de se conectar com as pessoas que o compõem.
Ao longo dos anos, ele também assistiu com admiração quando Game of Thrones explodiu e se tornou uma peça onipresente da cultura pop diante de seus olhos. Um dia, ele embarcou em um trem e viu vários passageiros lendo os livros de Martin. Então ele olhou para cima para ver outdoors gigantes anunciando a data de estréia da adaptação da HBO. Eventualmente, seus colegas no aeroporto começaram a discutir o programa como uma fonte de turismo. (Uma atração de 110.000 pés quadrados chamada Game of Thrones Studio Tour será aberta na Irlanda na primavera de 2020.) Depois de quase 20 anos celebrando a série, e vendo-a se transformar em best-seller, programa de televisão, universo estendido e a potência da propaganda, ele ainda acha difícil processar o alcance da franquia. "É tipo: Nossa, isso está em toda parte agora."
[...]
Em 1997, Linda Antonsson estava dando uma olha sua livraria local em Gotemburgo, na Suécia, quando se deparou com uma versão em brochura de A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin. Era o primeiro item no que o autor previa ser uma trilogia intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo, e contava a história de várias grandes casas disputando o poder nos continentes fictícios de Westeros e Essos, contada a partir da perspectiva de um punhado de personagens interessantes. O livro tinha sido lançado no ano anterior sem muito alarde. "Realmente não fez sucesso quando saira em capa dura", lembra Antonsson. Mas quando ela começou a ler, foi fisgada.
Ninguém mais que ela conhecia havia lido o livro, então ela se voltou à internet em busca de outros fãs de Martin - o que era uma experiência relativamente nova nos anos 90. "Eu lia muita fantasia, mas nunca tive ninguém com quem conversar sobre fantasia", ela me disse. "Eu tinha todas essas coisas que queria discutir e ninguém para conversar." Os cidadãos suecos não conseguiram adquirir suas próprias conexões dial-up até 1995; antes disso, Antonsson ocasionalmente fazia o acesso no centro de informática de sua universidade, onde estudava arqueologia clássica. Quando ela finalmente conseguiu sua própria conexão à Internet, ela navegou de bulletin board em bulletin board, debatendo desde a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien à série de livros A Roda do Tempo, de Robert Jordan. “Era um mundo incrível para se entrar, para poder encontrar todas essas pessoas que compartilhavam seu interesse sobre essas coisas que pareciam bem obscuras.”
Através desses primordiais fóruns da internet, Antonsson também descobriu o ElendorMUSH, um RPG multijogador baseado em texto que simulava o ambiente da Terra Média descrito nos romances de Tolkien. (O termo MUSH significa “alucinação compartilhada por vários usuários” [multi-user shared hallucination]. Isso foi antes de World of Warcraft, quando os computadores não tinham placas gráficas poderosas e os jogadores tinham que usar sua imaginação). Foi lá, na “cultura” que Antonsson havia se juntado, que ela conheceu Elio García. Na época, García estudava literatura inglesa e história medieval na Universidade de Miami. E os dois passaram os últimos anos analisando os detalhes mais sutis da Terra Média em árvores de discussão da Usenet, as precursoras dos fóruns on-line. Depois de terminar A Guerra dos Tronos, Antonsson convenceu o cético García a lê-lo também.
Logo eles estavam navegando juntos. Em 1998, a internet estava sendo amplamente usada como um utilitário de busca de informações em vez de uma rede social. Mas com a ajuda de algumas pesquisas no AltaVista, os dois encontraram tantos fóruns de fãs de A Guerra dos Tronos quanto puderam. Entre seus resultados estava Dragonstone, que García lembra ter sido executado via uma conexão de internet instável na Austrália; Harrenhal, que foi construído sobre a plataforma de serviços web Angelfire da Lycos (quee de alguma forma ainda existe hoje); e um fórum chamado Canção de Gelo e Fogo, dirigido por um usuário chamado “Revanshe.” Isso foi na época em que o mundo do entretenimento estava começando a entender o poder de marketing de mitos na internet. E, ao fuçar os fóruns de fãs dedicados à série Wheel of Time, Antonsson havia testemunhado em primeira mão como pistas e pontos da trama não resolvidos motivavam conversas. Ela viu o mesmo fervor se desdobrando com ASOIAF.
"Algumas das maiores e mais intensas discussões sempre foram sobre mistérios", disse Antonsson. "O primeiro tópico que eu lembro de ter lido no fórum de Pedra do Dragão foi a discussão sobre a paternidade de Jon e as poucas pistas que existiam depois do primeiro livro."
O fórum ASOIAF de Revanshe acabou se tornando grande em 1998, acumulando o que García estimava em cerca de 1.000 usuários regulares. Quando chegou a hora de Revanshe ir para a faculdade de medicina, ela passou o site para García, que já havia se tornado um moderador.
Enquanto isso, García e Antonsson estavam planejando começar seu próprio jogo MUSH em Westeros. Para garantir uma representação fiel, eles colocaram sua formação acadêmica em prática e tornaram-se geologistas, botânicos, zoólogos, antropólogos e historiadores autônomos de Westeros, registrando todos os fragmentos de dados que poderiam extrair de de Guerra dos Tronos em um documento do Microsoft Word chamado “The Concordance”. Eles compartilharam o banco de dados no fórum ASOIAF, pavimentando o caminho para a fundação da enciclopédia on-line feita por fãs, que hoje é conhecida como A Wiki of Ice and Fire. A wiki, que seria desenvolvido alguns anos depois, é composto de 23.081 páginas de conteúdo e passou por 236.642 edições desde o seu lançamento. Também inspirou a fundação de 11 sites irmãos em idiomas estrangeiros.
Observando os fóruns de fãs da Roda do Tempo, eles também estavam cientes de que a correspondência com os autores era freqüentemente perdida em tópicos separados. Então foi nessa época que eles começaram a registrar as entrevistas de Martin, e-mails, respostas em fóruns e postagens em blogs pessoais. (Naquele ano eles fizeram seu primeiro momento de contato com o autor, para pedir permissão para fazer o jogo MUSH. Meses depois, ele concordou, e os dois ainda tocam o A Song of Ice and Fire MUSH como um projeto paralelo).
O crescimento constante dos seguidores on-line de Martin - emparelhado com seu envolvimento na cena de ficção científica e fantasia desde os anos 1970 - gerou uma quantidade razoável de novidades para o segundo fascículo da série de Martin, A Fúria dos Reis. "Martin não pode rivalizar com Tolkien ou Robert Jordan, mas ele se qualifica com perfeitos medievalistas de fantasia como Poul Anderson e Gordon Dickson", escreveu um Publisher's Weekly cautelosamente otimista. À época, Peter Jackson estava se preparando para filmar a trilogia de filmes de O Senhor dos Anéis, e produtores e cineastas que viam potencial no gênero de fantasia começaram a sondar Martin pelos direitos de sua história. (Ele hesitou, convencido de que sua história nunca poderia ser esmagada no formato de filme).
Foi quando a coisa entre García e Antonsson ficou séria em mais de uma maneira. Por dividirem o gosto por Tolkien, Jordan e Martin, um romance floresceu e, alguns meses depois de Fúria ser lançado, García se mudou para a Suécia. Todos com quem eles conversaram sobre a série estavam apaixonados por ela. “Nós tínhamos alguns proselitistas que falavam em arremessar os livros em amigos, familiares, colegas de trabalho, etc.”, disse García por e-mail. “E foi tudo muito orgânico. A Random House não passava seu tempo vasculhando maneiras de nos vender ou fazendo com que trabalhássemos para eles, os fãs só fizeram isso porque gostavam”.Encorajados pelo fato de o livro inicial não ter sido o único, eles lançaram o site Westeros.org, reunindo os fóruns que herdaram, os dados de “The Concordance” e seus registros dos declarações públicos de Martin. Começou como um projeto paralelo executado em um servidor miudo em casa, enquanto continuavam a perseguir seus respectivos objetivos acadêmicos. Mas, eventualmente, se tornaria a principal fonte de análise e informação sobre o universo, seu autor e tudo mais.
Enquanto isso, a série de Martin continuou atraindo mais leitores e tornando-se mais difícil de lidar. O manuscrito de seu terceiro livro, A Tormenta de Espadas, tinha 1.521 páginas, e alguns editores não conseguiram manter tudo em um volume. Mas seu apoio entre a comunidade on-line da fantasia ficou mais forte do que nunca, e a Publisher’s Weekly chamou esse fascículo de “um dos exemplos mais gratificantes de gigantismo na fantasia contemporânea”. Quando foi lançado em 2000, estreou em 12º lugar na lista de best-sellers do New York Times.
No momento em que Martin lançou O Festim dos Corvos em 2005, ele garantiu seu lugar como o proeminente escritor de fantasia da década. O livro chegou ao topo da lista de best-sellers do New York Times e a Time o apelidou de "o Tolkien americano". Mas ele também se deparou com os mesmos problemas com Festim que com Tormenta. Sua solução foi dividir Festim em dois e contar a história de apenas metade dos personagens, em vez de metade da história de todos os personagens. Ele explicou tudo no post scriptum do quarto livro, logo após um final instigante. "Olhando para trás, eu deveria ter antevisto", escreveu Martin em seu site pessoal em 2005. "A história faz suas próprias demandas, como Tolkien disse uma vez, e minha história continuou pedindo para ficar maior e mais complicada."
O que pode ter sido uma limitação editorial frustrante para Martin foi uma fonte quase enlouquecedora de suspense para sua crescente base de fãs. Depois de esperar cinco anos entre o terceiro e o quarto livro, os leitores ainda ficaram imaginando o destino de favoritos como Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen. O próximo fascículo seria lançado em 2011, seis agonizantes anos depois. E foi durante esses períodos de silêncio, quando os fãs não tinham material novo com o qual se ocupar, que eles começaram a se concentrar em criar os seus próprios. "Não tenho certeza se a popularidade que antecede os livros poderia ter acontecido se os livros tivessem saído muito rapidamente", disse Antonsson. “Ter tempo entre uma série de livros é o que alimenta a discussão nas comunidades. Dura mais”.
O acesso digital e as plataformas sociais estavam evoluindo para apoiar esses tipos de obsessões. Entre 1995 e 2005, o uso global da Internet aumentou de 44,4 milhões de usuários para 1,026 bilhão. Plataformas simples para blogs, como LiveJournal, WordPress e Xanga, tornaram mais fácil para as pessoas iniciarem blogs pessoais e compartilharem suas ideias sobre qualquer coisa, independentemente de quão arbitrárias ou específicas. E as primeiríssimas redes sociais da web, incluindo o MySpace e o Facebook, estavam na infância, assim como o conceito de podcasting.
Enquanto Martin continuava atualizando sua base de fãs através de um LiveJournal chamado Not a Blog, seus fãs adoradores lidavam com sua impaciência de formas cada vez mais criativas. A maioria preferiu vasculhar os fóruns de Westeros.org ou Tower of the Hand, onde puderam analisar todas as teorias possíveis em torno de cada enredo e propor suas próprias. Uma facção de leitores impacientes se separou para formar uma comunidade ressentida conhecida como GRRuMblers. O fundador do site Winter Is Coming, Phil Bicking se agarrou a um anúncio de 2007 de que a HBO adquirira os direitos da série As Crônicas de Gelo e Fogo, e redirecionou sua energia para um site do Blogger que registrava o elenco, as filmagens e a produção da série. Mesmo antes de o piloto ter sido filmado, os fãs no site de Bicking começaram a tratar os anúncios do elenco como mistérios não resolvidos. Como um colunista de fofoca, Martin iria postar dicas sobre quem foi escalado para determinado papel em seu blog, para alimentar a chama. "Então a base de fãs passaria dias debruçado sobre aquilo, tentando desvendar o teste", disse Bicking. “Nós descobrimos todos eles. Fiquei chocado que as pessoas foram capazes de descobrir até mesmo Isaac Hempstead Wright, que interpreta Bran, e estava em um comercial antes disso”. Bicking se lembra de ter começado dois tópicos separados para discutir rumores e vê-lo ser encher com quase 1.000 comentários cada um. “Então, eu fiquei tipo: 'OK, eu tenho aqui uma comunidade dedica e de bom”, disse ele. A grande imprensa estava tomando conhecimento". Algum programa de TV recente gerou mais entusiasmo on-line, sendo que nem mesmo é um programa de TV?", perguntou o The Hollywood Reporter em 2010.
Quando a HBO estreou Game of Thrones em 2011, Martin já era famoso. Ele havia vendido mais de 15 milhões de livros em todo o mundo, fora retratado pelo The New Yorker e poderia levar sua legião de adoradores e haters ao frenesi com uma simples foto de férias postada em seu LiveJournal. Tudo isso significava que, quando o programa estreou em 17 de abril, ele se saiu bastante bem segundo os padrões de televisão. Cerca de 2,22 milhões de pessoas assistiram à estreia, o que foi menos do que o número de espectadores conquistados por Storage Wars da A&E e por The Killing da AMC, e mais do que Khloe & Lamar do E!.
Ainda assim, a crítica o recebeu de forma foi irregular. Embora muitos analistas tenham elogiado a capacidade da HBO de estabelecer um palco exuberante e cativante para a história complexa e abrangente de Martin, outros a consideraram um sinal de declínio da rede. Slate o chamou de “lixo de fantasia semi-medieval e repleto de dragões”. O New York Times o descreveu como “drama em traje de época com pingue-pongue sexual”. Em uma fala indicativa de uma conversa muito maior sobre a legitimidade da cultura nerd e sua perceptível falta de inclusão de gênero, a crítica Ginia Bellafante detonou o show por glorificar “a ficção infantil paternalmente acabou atingindo a outra metade da população”, e concluiu que “se você não é avesso à estética de Dungeons & Dragons, a série pode valer a pena”.
Enquanto isso, os servidores da Westeros.org estavam caindo. A agitação que antecedeu a estreia do programa deixou García e Antonsson com cerca de 17.000 membros registrados no Westeros.org. Mas o casal estava totalmente despreparado para a onda de interesse que se seguiu à estréia da série. Na noite em que foi ao ar, o site foi torpedeado pelas buscas do Google, e os dois cuidavam de seu único servidor como um recém-nascido com cólica. Para desviar o fluxo de tráfego, García ajustou o site para que apenas os membros registrados pudessem ver as postagens. "Eu imaginei que isso impediria as pessoas de entrarem", disse ele. No dia seguinte, ele acordou com 9.000 novas solicitações de conta. García passou horas aprovando manualmente os recém-chegados. A espera entre o terceiro e o quarto romance estimulou um aumento lento e constante de fãs, talvez um ou dois mil membros por ano entrando no fórum. Mas com a chegada do programa de TV, eles poderiam acumular vários milhares em um único dia. "Foi impressionante", disse García. “Os membros do nosso fórum chamaram a onda de novas pessoas de 'The Floob' - uma enxurrada de noobs.” Foi nessa época que García e Antonsson abandonaram suas atividades acadêmicas para se concentrarem no site em tempo integral.
Embora o casal tenha perdido alguns dos dados do número de visitantes dos primeiros dias, Antonsson lembra-se de ter assistido a vazão e o refluxo do tráfego em A Wiki of Ice and Fire quando os recém-chegados reagiram aos principais pontos da trama da primeira temporada. Esses picos foram particularmente pronunciados no episódio 9, quando o herói do programa, Ned Stark, foi executado inesperadamente. “Logo após o episódio terminar, todo mundo foi até a página de Ned Stark para checar: Ele está bem? Né?” - lembrou Antonsson. (Ele não estava.) O final da temporada do show foi assistido ao vivo por cerca de 3,04 milhões de lares - cerca de 820 mil a mais do que a estréia. A primeira temporada mais tarde viria a ser indicada para 13 Emmys e ganharia dois, para Melhor Design de Abertura e para a performance de Peter Dinklage como Tyrion na categoria Melhor Ator Coadjuvante em série dramática. Ao matar o herói de Westeros antes mesmo que a temporada terminasse, Benioff e Weiss chocaram seus espectadores menos maduros, agradaram os superfãs dos livros e plantaram uma semente de curiosidade que sustentaria a série ao longo dos próximos oito anos.
O que García e Antonsson testemunharam em seu site naqueles primeiros dias se assemelhava à conversa em duas frentes de Game of Thrones que logo surgiria na mídia e na internet como um todo. Depois de cada novo episódio televisivo, aqueles que não leram os livros (agora presumivelmente na casa dos milhões, tendo em conta a audiência do programa) correm para a Internet em busca de contexto, enquanto os leitores de livros (também uma base crescente) riem de diversão e depois analisam as diferenças entre o show e o cânone. Essa “camada paralela” de conversação, como a T Magazine do New York Times a chamou, pode ao mesmo tempo fornecer aos recém-chegados uma melhor compreensão do universo de Westeros e permitir que os veteranos testassem seu conhecimento detalhado do cânone em contraste com o show.
[...]
E há o Deus Imperador Butler. Embora o programa esteja chegando ao fim e não esteja claro se ou quando os livros remanescentes de Martin serão publicados, a comunidade que ele aprecia sobre Thrones continua viva. Em agosto, muito depois do final da série, ele participará de sua 17ª reunião da Brotherhood Without Banners na Worldcon em Dublin. "Seria meio triste não ir", disse ele.
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2019.02.22 05:31 Paralelo30 ÉPOCA - O que é o PSL, o partido do presidente

por Bruno Góes
Quando a então jornalista Joice Hasselmann (PSL-SP) recebeu o aval do clã Bolsonaro para se candidatar ao Senado pelo partido do presidenciável, mergulhou com apetite na empreitada. Depois de filiada ao PSL, anunciou o astronauta Marcos Pontes como seu possível suplente e partiu para uma ostensiva campanha nas redes. Os planos de Hasselmann esbarraram no latifúndio do então deputado Major Olímpio, presidente do partido em São Paulo à época. Ele decidira que ocuparia a vaga de candidato a senador e escanteou a estreante na política. Ela buscou respaldo em Jair, como a hoje deputada federal costuma se referir ao presidente da República. Não encontrou e acabou se contentando com a disputa por uma vaga à Câmara dos Deputados e uma dobradinha com o governador paulista João Doria. Hasselmann buscou apoio partidário e encontrou solidão.
O deputado estadual Fernando Francischini dividiu com Jair Bolsonaro, por quatro anos, o desprestígio de ter o gabinete no anexo III da Câmara dos Deputados — onde não há sequer um banheiro privado para cada parlamentar. O desabono geográfico e a repulsa pela esquerda os uniram. Francischini trabalhou arduamente na campanha do presidente e foi um dos primeiros filiados ao PSL após a entrada de Bolsonaro. Recebeu a promessa de que emplacaria seu filho, Felipe, como candidato do partido à Câmara dos Deputados e que sairia candidato a uma vaga no Senado. A primeira parte do acordo foi cumprida. A segunda, não. Francischini foi afastado do núcleo duro do presidenciável pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, então presidente do partido, e começou 2019 contentando-se com uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Fernando Francischini abraçou o projeto eleitoral da sigla e recebeu, em troca, ingratidão.
Enquanto a redemocratização permitiu o surgimento de partidos que representaram interesses de classes e corporações, o PSL que deu lastro à candidatura de Jair Bolsonaro nasceu de uma empreitada individual do empresário pernambucano Luciano Bivar nos anos 90, permanecendo irrelevante no Congresso Nacional por cerca de 20 anos, até decidir dar guarida ao ímpeto eleitoral do hoje presidente. Sua média de deputados por legislatura não passou de cinco até 2018, e sua fatia do Fundo Partidário somou pouco mais de R$ 9 milhões no ano passado. Hoje, com 54 deputados, tem a maior bancada da Câmara dos Deputados, ao lado do PT, e um caixa de R$ 110 milhões a serem irrigados à sigla somente neste ano.
No dia 22 novembro de 2017, Bivar recebeu representantes do Livres, um movimento de cunho liberal criado na esteira dos protestos de 2013, no hotel Golden Tulip em Brasília. O motivo da conversa era a incorporação do grupo ao partido e as possíveis candidaturas que resultariam dessa união. O vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (PHS), do Livres, foi direto ao ponto: havia rumores de que o PSL abrigaria Jair Bolsonaro. “Em determinado momento, perguntei se o Bolsonaro poderia ficar com o partido. O Bivar respondeu: ‘Bolsonaro? Bolsonaro é uma piada. A gente jamais o colocaria no partido’”, contou Azevedo. Foram quase três horas de reunião e muitas conjecturas sobre o futuro. Dois meses depois, Bivar fecharia um acordo com o advogado Gustavo Bebianno, hoje ex-ministro em desgraça nas hostes bolsonaristas. Na esteira da popularidade do presidenciável, anteviu a enxurrada de candidaturas vitoriosas que o partido teria e concedeu a Bebianno a presidência interina da sigla, permitindo que o aliado de Bolsonaro controlasse todos os diretórios do PSL, exceto o do Distrito Federal e de Pernambuco — este último sendo comandado por Bivar. Em contrapartida, Bivar conseguiu direcionar 20% do Fundo Eleitoral à campanha para seu estado. O Patriota, outro partido assediado pelo entorno de Bolsonaro, não havia enxergado vantagem em tamanha concessão e terminou escanteado.
Se o negócio, à época, foi vantajoso para Bivar e Bebianno, as pontas mal atadas começam a surgir — e causaram a primeira grande crise institucional da gestão Bolsonaro. Hoje, a campanha em Pernambuco é investigada pelo suposto uso de candidata laranja financiada por dinheiro público para beneficiar a campanha de Bivar. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um grupo ligado ao deputado teria promovido a candidatura de Lourdes Paixão, que ganhou R$ 380 mil do Fundo Eleitoral e obteve apenas 274 votos. Ela declarou ter investido o valor na contratação de uma gráfica cujo endereço era o de uma oficina mecânica — prática corriqueira da velha política que o PSL, sob Bolsonaro, prometeu combater. O episódio culminou na ruidosa queda de Bebianno, que teria chancelado o pagamento — o que o ex-ministro nega.
A reação do PSL à derrocada do ex-homem forte de Bolsonaro foi o primeiro exemplo prático da desarticulação que norteou a chegada do presidente ao partido. O grupo de bolsonaristas mais alinhados ao Palácio do Planalto, e que coincidentemente são entusiastas do filósofo Olavo de Carvalho, como é o caso do príncipe-deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, aplaudiu a demissão de Bebianno e guardou para si qualquer crítica à forma como o desenlace ocorreu, sob a batuta do filho Carlos Bolsonaro. Os aliados de Bebianno, grupo em que se enquadram nomes como Joice Hasselmann e o também deputado Julian Lemos (PSL-PB), têm dito a interlocutores que discordam da forma como a fritura do ex-ministro foi conduzida. Lemos, nome forte da campanha bolsonarista no Nordeste, afirmou a aliados que se surpreendeu com a atitude do presidente e que desconfia ter se enganado sobre sua índole ao ver a forma como agiu com Bebianno. Nesse núcleo, a animosidade em relação aos filhos de Bolsonaro é patente — sobretudo em relação a Carlos, a quem alguns parlamentares se referem, nos bastidores, como Tonho da Lua, em referência ao personagem da novela Mulheres de areia que aparenta ter problemas psiquiátricos. O apelido maldoso é justificado, na avaliação de alguns nomes do PSL, pela incapacidade de Carlos em manter um diálogo linear e por seus rompantes de raiva. Também nesse núcleo já começa a circular uma análise um tanto pessimista a menos de dois meses do início do governo: diante da desajeitada atuação de Bolsonaro no caso Bebianno, discute-se a hipótese de a instabilidade palaciana inviabilizar o futuro do atual governo.
O restante da fauna do PSL é heterogênea e não tem liderança clara ou norte político, exceto o apoio a Jair Bolsonaro. São youtubers, policiais, militares, influenciadores digitais, ex-ator pornô e representantes de setores que embarcaram desde o início na candidatura do ex-capitão, como é o caso do agronegócio. Como todo partido nanico, o PSL não tem origem orgânica, lastreada em ideias ou projetos para o país. Mas, por influência de Bolsonaro, predominam em sua composição valores e costumes alinhados aos do capitão. Há até espaço para uma “comunista”, como vem sendo chamada a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), uma das autoras do processo de impeachment de Dilma Rousseff, por não poupar críticas aos últimos eventos protagonizados pelo governo Bolsonaro e seu entorno familiar, a exemplo do caso Queiroz e da própria demissão de Bebianno. “É inadequado que o presidente deixe essa situação se estender por tanto tempo. Decidiu demitir, demite, para gerar um pouco mais de estabilidade para o país”, disse Paschoal. Cotada como vice no período eleitoral, ela negou a empreitada por motivos pessoais e abraçou a candidatura estadual. Mas o fato é que, entre os campeões de voto do partido — amealhou 2 milhões —, só Paschoal foi lançada à presidência de uma Casa legislativa. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, eleito com 1,8 milhão de votos, atuou apenas nos bastidores na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, apoiando Rodrigo Maia, e o Major Olímpio, que chegou ao Senado com mais de 9 milhões de votos, desistiu de sua candidatura sob o argumento de que o governo Jair Bolsonaro precisava garantir apoio da casa para governar.
Nos primeiros dias de fevereiro, logo após a posse dos deputados e senadores, não era raro encontrar, no fundo do plenário da Câmara, parlamentares do partido que não se conheciam e acabavam de ser apresentados uns aos outros. Conforme as sessões tiveram início, a bancada passou a se aglutinar nas primeiras fileiras da direita, onde poucos meses antes estavam lotados o MDB e partidos aliados de Michel Temer. Como a exposição nas redes sociais tornou-se prerrogativa no PSL de Bolsonaro, muitos de seus expoentes chegaram à conclusão de que, se ficassem mais à frente, em pé, próximos da tribuna, seriam mais facilmente captados pelas câmeras de TV. Portanto, não raro é possível vê-los eretos abaixo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com o olhar perdido, em busca de um flash. Outros comportamentos de pesselistas são menos sutis para atrair holofotes, como no caso do ex-ator pornô Alexandre Frota, eleito deputado federal por São Paulo e que, no ápice da crise com Bebianno, esmagou uma laranja ao final de um discurso na tribuna. “Laranja podre, no PSL, será esmagada”, disse.
As nuances internas do PSL extrapolam o perfil diverso dos integrantes da sigla e esbarram em questões concretas. Tramitam, hoje, no Supremo Tribunal Federal (STF), ações movidas pelo PSL em seus primórdios e que contrariam parte do que é defendido pelo presidente e seus aliados. Uma delas questiona uma lei federal de 1989 que prevê a prisão temporária, um dos trunfos da Operação Lava Jato. O partido alega “desatendimento da garantia do devido processo legal”. Em uma ação de 2016 que ainda não tem data para ser julgada, a sigla contesta trecho da lei sobre organização criminosa — que, por sua vez, serviu para enquadrar muitos investigados da Lava Jato. O partido critica a suposta “criminalização” da atividade política e argumenta que a lei quebra a presunção de inocência e o princípio da dignidade humana. “É preciso impor limites aos exageros perpetrados, institucionalizando a proibição de o membro do Ministério Público externar opinião sobre os procedimentos submetidos a sua apreciação que possa causar danos à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e à dignidade das pessoas”, afirma processo, em clara contradição ao entendimento do ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre a questão.
Incongruências à parte, nada foi tão emblemático da falta de entrosamento do PSL e de sua fraca liderança na Câmara dos Deputados como a derrota na alteração da Lei de Acesso à Informação, sancionada pelo vice, Hamilton Mourão, enquanto Bolsonaro viajava para Davos, no Fórum Econômico Mundial, em janeiro. O maior partido da casa não conseguiu mobilizar uma base para manter a mudança na lei e foi derrotado pelos próprios aliados, como o DEM, que votou maciçamente contra o governo. Observadores do Salão Verde veem nessa derrota a digital da velha política: diante da fraqueza do partido presidencial, Maia quer demonstrar força para barganhar poder junto ao núcleo palaciano. Em seu primeiro intento, teve sucesso. Nas semanas que precederam a votação, pelo menos três deputados relatam o uso de métodos mais rasteiros pelo presidente da Câmara para mostrar poder: ele teria ligado para os líderes partidários sugerindo o esvaziamento da primeira reunião de lideranças convocada pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Escolhido por Bolsonaro por sua lealdade durante a campanha, Vitor Hugo ocupa posição solitária — não é encarado por colegas de partido e de casa como elo político com o governo. “Se alguém quiser mandar recado para o governo, fala com quem?”, ironizou o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE), cujo pai, Fernando Bezerra, terminou a semana como líder do governo Bolsonaro no Senado. A Casa, agora presidida pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), sob a tutela de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, é vista como problema menos grave para o governo do que a Câmara. Exonerado num episódio burlesco com Bolsonaro, Bebianno pode complicar o atual governo. Foto: Ricardo Moraes / Reuters Exonerado num episódio burlesco com Bolsonaro, Bebianno pode complicar o atual governo. Foto: Ricardo Moraes / Reuters
O tempo que não foi gasto pelos deputados bolsonaristas para articular uma base de apoio foi dispensado a picuinhas internas de forte impacto nas redes sociais e nenhuma serventia prática. A primeira grande crise do maior partido do Brasil ocorreu em janeiro, quando 12 parlamentares foram à China a convite de autoridades locais para, entre outras coisas, conhecer o sistema de reconhecimento facial da gigante de tecnologia Huawei. Olavo de Carvalho qualificou os deputados que lá estavam de “semianalfabetos”, alegando que eles poderiam “entregar” informações dos brasileiros a Pequim. Até hoje o núcleo mais ideológico da bancada do PSL isola a chamada “bancada da China”. A Eduardo Bolsonaro é atribuída a autoria da postagem de Olavo de Carvalho.
Alguns deputados do PSL veem o comportamento exaltado de membros do partido como atitude contraproducente no momento em que os esforços deveriam se voltar para a aprovação da reforma da Previdência. Outros acham que o segredo do sucesso está justamente na postura agressiva. Carla Zambelli (PSL-SP) ganhou notoriedade ao liderar o estridente movimento Nas Ruas e concorda que é preciso rebater cada questionamento, alto e bom som, pois “é isso o que os eleitores querem”. O Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido na Câmara, vai além e diz que as brigas “na frente de todo mundo” são “um novo modelo a que muita gente não está acostumada”. Ou então, em suas próprias palavras: “Nossos debates não são atrás das portas”. Já Felipe Francischini (PSL-PR), que ocupa o lugar do pai, Fernando Francischini, pensa diferente. Desde que foi eleito, trabalha nos bastidores para estabelecer algum diálogo com os partidos e com Rodrigo Maia.
Como a esmagadora maioria dos deputados do PSL inicia o primeiro mandato, em alguns momentos a inexperiência ganha tons de comédia, como ocorreu na primeira votação da atual legislatura, no início de fevereiro. O plenário votaria uma lei sobre o bloqueio de bens de organizações ligadas ao terrorismo. Havia aval de Sergio Moro. Mesmo assim, o caos perseverou. O Major Vitor Hugo foi pressionado pela bancada da própria sigla e teve de negociar uma alteração do texto no momento em que o tema já era discutido em plenário. Parte da bancada achava que parte do texto feria a soberania do Brasil e seria uma forma de “entreguismo à ONU”. A alteração foi feita contra a orientação do Executivo, e a proposta foi aprovada. Depois do episódio, o governo passou a despachar técnicos para explicar, na Câmara, as pautas que seriam votadas. Como a palavra “China” não sai do anedotário do partido, na primeira ocasião em que os parlamentares receberam os técnicos, Carla Zambelli fez uma pergunta singela e fora do contexto da reunião. Quando esteve na comitiva, um empresário chinês havia dito que ele possuía um porto no Brasil. Ela, então, perguntou se isso não feria a soberania do país. O técnico teve de explicar que tratava-se de uma concessão privada.
Outro expoente da ala estridente é o policial do Rio de Janeiro Daniel Silveira, que participou do episódio em que uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco foi quebrada. Ele tem alardeado um projeto de lei que, se aprovado, autorizaria a cessão compulsória de órgãos de criminosos mortos em confronto, sem autorização das famílias. “Bandido morto, órgãos cedidos” é a forma sutil de anunciar a proposta em seu Twitter. No dia 7 de fevereiro, Silveira desabafou no grupo de WhatsApp da bancada. Depois de o líder do governo, Vitor Hugo, ser atacado pelo colega Julian Lemos com a ordem “lidere ou saia do posto”, ele resolveu desferir uma saraivada de críticas: “Percebi que uma boa parcela está preocupada em apertar as mãos em acordos que visam seus umbigos egocêntricos (...). Percebi que o presidente está mais sozinho que parece”. As brigas são tantas que Luciano Bivar disse, em uma ocasião, que os insatisfeitos e interessados em sair do partido poderiam valer-se de uma carta por “justa causa”, sem perder o mandato por infidelidade partidária. Ele chegou até mesmo a mandar um modelo de carta no grupo de WhatsApp da bancada.
A pulverização do partido entre ideias heterodoxas e inexperiência política fez emergir rompantes de sensatez de onde menos se esperava. A deputada Joice Hasselmann, que apareceu com algemas na tribuna da Câmara para insinuar intolerância com a corrupção, foi uma das vozes equilibradas em meio às discussões sobre a saída de Bebianno. Enquanto o ex-ministro desferia ataques velados ao Palácio do Planalto, hospedado no hotel Golden Tulip, dias antes de ser exonerado, era Hasselmann, que começou sua empreitada política disputando espaço com Major Olímpio, quem tentava contemporizar. Em uma das investidas para conter a fúria de Bebianno, ficou até a madrugada conversando com ele e a mulher no hotel. O resultado foi um avanço político para os parâmetros ainda rudimentares do PSL: Bebianno caiu atirando somente para não terminar sua breve estada no governo com a pecha de mentiroso, mas desistiu de ir além e mostrar outros áudios que possui. E que talvez não sejam do agrado do governo. Trata-se de sangue-frio digno da velha escola Renan Calheiros.
Com reportagem de Renata Mariz e Cleide Carvalho
https://epoca.globo.com/o-que-o-psl-partido-do-presidente-23469274
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2018.09.08 02:55 EdSantos_321 Apareçam hoje (Sábado) na manif contra a censura na Internet, às 17h em Lisboa!

Olá!
Este é um apelo para aparecerem hoje (especifiquei no título que hoje é Sábado, para quem precisar de orientação), às 17h no Largo Camões em Lisboa (é sempre em Lisboa, pahhh!), para a manif contra os filtros de censura e restantes ideias idiotas que estão quase a passar em Bruxelas.
Então o problema é mais ou menos o seguinte:
gatos e unicórnios!
Let's keep our Internet weird! \o/ \o/ \o/
Evento do Facebook:
https://www.facebook.com/events/293165507942061/
Site:
https://salvar-a-internet.wixsite.com/salvar-a-internet
Está a ser organizado pelos mesmos estudantes da primeira manif.
Dúvidas? Vou já respondendo às mais comuns:
https://direitosdigitais.pt/comunicacao/noticias/64-o-minimo-sobre-a-reforma-direito-autor
Filtros de censura e taxa do link.
Sim, está no link acima.
A Internet não vai acabar, é certo. Pode é ficar uma mrd. Alguns de nós estão a tentar mantê-la como é. Reagir com algum cepticismo é algo comum e normal. Sim, se calhar vai correr tudo bem e a coisa resolve-se (até à próxima).
Claro que acreditar nisso implica alguma (muita) fé na capacidade dos nossos deputados europeus para chegar a uma solução de algum bom senso, sem nós estarmos em cima deles a fazer barulho. Não é propriamente impossível, tipo... o Sporting ganhar o campeonato este ano. Pode acontecer, mas... cuidado com as apostas a dinheiro! [perdoem-me a piada caros adeptos, eu também sou do SCP. Hoje é também um dia complicado nessa vertente - e este ano não tenho fé nenhuma].
Ah, e não contem que haja pressão dos cidadãos apenas com a cobertura jornalística que o assunto está a ter... (nota: os jornais são parte directamente e economicamente interessada no assunto - vide artigo 11, taxa do link.)
E não estamos sozinhos nesta posição. Aliás, parece que tirando quem directamente beneficia da reforma a nível económico, há um consenso que isto é má ideia. Passem os olhos por aqui: https://direitosdigitais.pt/decisions_decisions/index_PT.html
Há dois meses conseguimos (por uma escassa margem!) que o plenário do Parlamento rejeitasse a versão que saiu da Comissão responsável por esta pasta (em que tínhamos o nosso grande Marinho e Pinto, cof cof), e que TODOS os Eurodeputados pudessem submeter propostas de alterações ao diploma. É isso que vai acontecer na próxima semana. A partir daí o texto já pouco vai alterar (há mais detalhes mas basicamente é isso) até ser votado pela derradeira vez. Se esta semana não o conseguimos melhorar, chapéu. Depois é tentar mandá-lo todo para o lixo, mas é muito, muito difícil que isso aconteça.
Contacta os deputados que nos estão a lixar a Internet:
https://pt.saveyourinternet.eu/
Contacta os deputados que nos estão a lixar a Internet:
https://pt.saveyourinternet.eu/
E aparece no encontro.
Cria uma thread com a tag sério e lança a discussão, que é interessante.
Neste caso em concreto, temos a sorte de termos as eleições à porta (Maio de 2019). Não são à porta para nós, mas são à porta para os partidos, que já andam todos atarefados a fazer programas eleitorais e decidir que temas lhes podem dar mais uns pozinhos de votos. A votação final é bem capaz de ir calhar perto das eleições, e nessas alturas todos querem ficar todos bem na fotografia. Ou quase todos. Por exemplo, na reuniões-sombra do assunto (reuniões em que representantes dos grupos parlamentares tentar chegar a acordos) que decorreram esta semana, o EPP e o S&D (os maiores grupos parlamentares, que têm um peso imenso) disseram que estavam muito disponíveis para procurar acordos pois tinham por objectivo evitar campanhas sobre este tema perto das eleições. Regra geral, eles não estão interessados em ser associados a medidas de censura, por estas alturas.
Mas ao que parece o acordo proposto estava muito longe de ser um compromisso para todos, pelo que em princípio não vai haver acordo.
Erm... vamos lá ver uma coisa. É uma manif por uma Internet livre. O comum cidadão está a leste do que estamos a falar. Portanto: não. Por outro lado, determinados nichos (como o Reddit) até estão bem em cima da coisa, pelo que o lado positivo é que é um encontro porreiro para conhecer gente fixe.
Também eu. E uma data de gente, que isso é coisa extramamente comum (e talvez ainda mais no Reddit? :P). Não vai passar se ficares sempre em casa. Aparece que ninguém morde e vens embora quando quiseres. E fala com pessoas!
Até já!
PS: Vou dormir e respondo amanhã. O pessoal do turno da noite que dê aí uma ajuda nisto. E venham também, que marcámos às 17h precisamente para que possam acordar e ir.
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2018.08.31 03:13 TheWaxObserver Mudança de personalidade repentina?

Esse desabafo vai ser bem longo, mas preparei um TL;DR no final.

Há um tempo atrás, eu estava no ponto de ônibus em frente ao trabalho, esperando minha linha para poder voltar pra casa. Foi um dia cansativo, então lá estava eu me esforçando para não cochilar em pé. Até que uma garota que acabou de chegar no ponto me cutuca e pergunta se uma certa linha já havia passado, era a mesma que eu estava esperando. Respondi que também estava esperando aquela linha, e que desde o tempo que estava lá, o ônibus ainda não havia passado. Ela agradeceu, e em seguida puxou um outro assunto que logo se prolongou e serviu de ponte para mais um assunto, e assim ficamos conversando até a chegada do ônibus. Minha parada foi a primeira a chegar, e quando eu estava me preparando para desembarcar, ela se apresentou e agradeceu pela (breve) companhia que eu acabei fazendo a ela no percurso de volta. Nos apresentamos e em seguida nos despedimos e então desembarquei do ônibus.
Não era algo com o qual eu estava acostumado, as pessoas normalmente só me pedem informação e seguem suas vidas ignorando a minha presença logo em seguida, havia sido a primeira vez que uma conversa simplesmente fluiu com uma pessoa que eu nunca havia visto antes, aposto que quem olhasse de longe pensaria que éramos conhecidos de longa data, não dois estranhos. Acabei ficando com isso na cabeça até o dia seguinte, onde no mesmo local e no mesmo horário lá estava ela, que me recebeu com um simpático sorriso.
Esse segundo dia não foi muito diferente do primeiro: conversamos, demos risada e quase perdemos o ônibus de tão envolvidos que estávamos na conversa. Ela perguntava bastante sobre mim, minha família, meu trabalho, minha história e demonstrava um grande interesse em saber mais de mim. Comigo não era muito diferente, eu realmente senti como se algo tivesse "clicado" em minha mente e me dizia em letras garrafais para conhecer melhor essa garota, e então eu perguntava mais e mais sobre ela, assim como ela fazia de mim. Então, um pouco antes de desembarcar do ônibus, pedi o contato dela, e ela (com um enorme sorriso no rosto) me passou um número do telefone, e foi desse dia em diante que começamos a nos falar por mensagem praticamente todo dia.
Nós (quase que literalmente) conversávamos sobre a vida, o universo e tudo mais. Não havia sequer um assunto que gerava aquele momento incômodo de silêncio que pra muitos é desconfortável. Qualquer assunto rendia desde risadas a reflexões profundas para ambos, e isso estava me fazia um bem enorme, eu simplesmente adorava conversar com ela e parecia que era algo recíproco. Um dia, eu dei a sugestão de sairmos juntos em um final de semana para tomarmos um café, ou simplesmente passear em um parque que tem no bairro onde moramos. Veja bem, foi um convite bem casual até porquê eu não sou do tipo que chama outra pessoa para sair pela primeira vez com intenção de tentar fazer algo sério rolar, eu chamei porquê valorizo bastante a companhia dela e queria poder passar um tempo conversando pessoalmente sem ter que ficar me preocupando com a chegada do meu ponto de desembarque do ônibus, por exemplo. Ela então disse que topava, porém teria que ser depois de um compromisso que ela tinha naquele final de semana. Por mim tudo bem, a gente se encontraria logo após o compromisso dela: uma prova de concurso.
Então, finalmente chegou o fim de semana e com ele o dia da nossa saída. Ela me manda mensagem um tempo antes do horário que combinamos de nos encontrar perguntando se eu iria ficar muito chateado se nós remarcássemos a saída para outro dia, pois estava super cansada da prova. Eu então digo a ela que sem problemas, poderíamos remarcar para outra data, afinal fazer prova de concurso é bem cansativo mesmo. Ela agradeceu, disse que eu sou fofo por ser compreensivo com isso e nós ficamos conversando através de mensagens pelo resto da noite, até ela cair no sono enquanto conversava.
Continuamos em nossa rotina de nos falarmos todo dia por mais algumas semanas, até que eu novamente a convidei para sair no final de semana seguinte. Dessa vez ela reagiu diferente, disse que adoraria mas que não podia pois iria visitar a família que mora em outra cidade, que até iria emendar a sexta-feira no trabalho pra aproveitar mais. Eu aceitei numa boa, e disse que poderia ser no final de semana seguinte caso ela pudesse. E ela aceitou, parecendo estar bem empolgada com isso.
Porém, no dia seguinte, percebi que algo estava estranho: nossas conversas não estavam mais rendendo como antes, pois em diversas vezes ela simplesmente acabava o assunto com uma resposta monossilábica, ou visualizava e parava de responder às mensagens. Eu não a via pessoalmente mais, pois ela dizia que estava fazendo um horário complicado e muitos dias teria que ir para a sede da empresa, que fica em outro bairro da cidade. E isso foi se seguindo até o dia da nossa saída, quando pela manhã ela me mandou mensagem dizendo que não ia poder sair pois surgiu um imprevisto no trabalho e ela teria que trabalhar no final de semana. Aceitei numa boa (novamente), e então fui passear com um grupo de amigos da faculdade. Mais tarde, quando tentei puxar assunto com ela, ela visualizou e não respondeu a mensagem. Então resolvi fazer um teste, com uma atitude que não me orgulha muito: como quem iniciava as conversas era sempre eu, então resolvi esperar que ela viesse me chamar para conversar por mensagem já que pessoalmente nós não nos víamos há semanas.
Para minha (infeliz) surpresa, ela não me chamou no primeiro dia, nem no segundo e muito menos após 1 semana desde que coloquei esse "teste" em prática. Essa ausência dela me deixou bem triste nos primeiros dias, pois pelo breve histórico que tínhamos é algo que faz uma falta tremenda ter alguém assim para conversar. Fico me perguntando se isso tudo foi um erro meu, se meu convite foi mal interpretado ou algo do tipo, e ela não encontrou outra forma de "passar a mensagem" que não se distanciando do jeito que rolou...

TL;DR: Conheci uma garota e nos demos super bem logo de primeira, conversávamos praticamente o dia inteiro sobre diversos assuntos. Chamei ela pra sair comigo duas vezes, com o intuito de desenvolver uma amizade mesmo e ela desmarcou nas duas. Depois disso ela começou a dar respostas curtas e não querer conversar tanto. Resolvi parar de chamar por alguns dias para ver se ela me mandava mensagem e ela nunca mais me mandou mensagem/falou comigo...
EDIT: Acho que dei a entender no texto que eu tive interesse amoroso nela, mas não é isso. Eu queria mesmo era desenvolver uma amizade com ela, justamente por ser uma pessoa tão bacana de conversar. Eu demoro muito pra desenvolver interesse amoroso com uma pessoa, então não é esse o caso com ela.
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2018.08.26 03:48 NatanaelAntonioli Introdução ao R: (2) primeiro banco de dados, bibliotecas úteis

Nosso primeiro banco de dados

O processo para criação do banco de dados é bem simples: utilizaremos o Excel. Por que? Basicamente, por que o Excel funciona muito bem para a criação de tabelas, que é o que precisamos. Aqui, não se preocupe em formatar a tabela de uma forma agradável: apenas faça com que ela esteja tidy, conforme o que vimos no post anterior.

O primeiro passo para um banco de dados é, justamente, conseguir dados. Para tanto, você pode criar seus próprios dados, ou optar por baixar alguma base pronta (de preferência com dados reais). Optaremos pela segunda possibilidade, uma vez que isso nos permite analisar valores relacionados com fenômenos que ocorreram no mundo real.

Uma excelente fonte para esses dados pode ser encontrada em https://github.com/fivethirtyeight/data. Para os próximos posts, utilizaremos o banco de dados "iris", que contém 150 observações do comprimento e largura das sépalas e pétalas de 3 variedades de uma orquídea. Você pode encontrá-lo, assim como muitos outros, em https://vincentarelbundock.github.io/Rdatasets/datasets.html.

O download disponível é no formato .csv, e terá a seguinte aparência quando aberto.
https://preview.redd.it/wt0k19fobci11.png?width=482&format=png&auto=webp&s=e64c11af1276ba58b58ec7afc4beae6dc1f05039
Evidentemente, não é um formato nem perto de amigável. Mas podemos melhorar isso.
Para tanto, abra um novo arquivo (em branco) no Excel e acesse a opção Dados > Obter Dados Externos > De Texto.
https://preview.redd.it/eo97yof5cci11.png?width=500&format=png&auto=webp&s=966fd5e05e393280b7076edb2eda7e835dab9264
​Em seguida, selecione, na aba do Windows Explorer, o banco de dados .csv que foi baixado. Clique em "Avançar" na caixa de diálogo e, logo depois, marque a opção "Vírgula", conforme mostrado abaixo. Depois, clique em "Concluir".
https://preview.redd.it/qh4ywl2rcci11.png?width=667&format=png&auto=webp&s=5497273a7bcb598eb9839248beddce5d592d75bf
Você verificará que o banco de dados se tornou muito mas amigável. Salve-o com qualquer nome em um diretório que seja de fácil acesso.
https://preview.redd.it/ivfvbl0xcci11.png?width=446&format=png&auto=webp&s=eca6f889206152d9a6882aa73e65f8c0c9af9940
Agora, finalmente vamos abrir o Rstudio!

Entretanto, antes de colocar a mão na massa, é interessante nos familiarizarmos um pouco com o ambiente do programa. Ele será mais ou menos assim:

https://preview.redd.it/2p6fahqmdci11.png?width=1366&format=png&auto=webp&s=a51d879999307b593a1a7052d5e1e556b7877180
A grande janela da esquerda apresenta um console, no qual comandos podem ser inseridos. É possível também escrever arquivos na linguagem R, mas não o faremos por enquanto. Na direita, a aba superior permite verificar, por exemplo, quais bancos de dados estão presentes no R. Já a aba inferior permite navegar pelos diretórios do computador, plotar gráficos, instalar pacotes, etc.

Instalar pacotes é a primeira coisa que faremos, inclusive. Para tanto, insira o seguinte comando para incluir o Tydyverse, uma coleção de pacotes.
require(tidyverse) 
Quando for utilizar alguma função dessa biblioteca, no futuro, ainda será necessário inicializá-la. Isso pode ser feito com:
library(tidyverse) 
Importando nosso banco de dados

Para importar o banco de dados, basta clicar em "Files" na aba inferior esquerda, localizar o arquivo com o banco de dados e selecionar "Import dataset", seguindo as instruções subsequentes.

https://preview.redd.it/loecc1u1fci11.png?width=279&format=png&auto=webp&s=27b02b9d6a3a9ce41b045c773de39ee64d5dfb98
Você receberá, em seguida, uma prévia de seu banco de dados.

https://preview.redd.it/1luz34q5fci11.png?width=1200&format=png&auto=webp&s=f4257c5b84640fa6e8053793bd01cd7f45784d3f
Assim, após a importação, ele já estará acessível para manipulação, algo que faremos no próximo post.

https://preview.redd.it/19iich9afci11.png?width=616&format=png&auto=webp&s=4b2ab56f0d711d7d7ee2cab6ebe17236bcb1e9fb
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2018.06.09 05:05 sagurgel A Quinta Vala - A divina tragédia da traição premiada.

A QUINTA VALA.
A divina tragédia da traição premiada.
A traição jamais obteve tanto espaço nos noticiários quanto nos últimos anos. Contudo, esse ato humano execrável, que pela história da humanidade foi responsável por desencadear crimes passionais, guerras e outras reações extremas, já não desperta mais tantas paixões, e às vezes chega a ser motivadora de reivindicação de prêmios.
Por todo o planeta encontramos infindáveis termos para fazer menção aos que possuem o desvio de caráter que conduz à infidelidade. Na riquíssima língua portuguesa, as variantes superam aquelas vistas em qualquer outra, seja pelas tradicionais expressões contidas no vernáculo, como traidor, traiçoeiro, delator, alcaguete, informante, seja pela linguagem coloquial, a exemplo de traíra, dedo-duro, linguarudo, X-9 etc. Nos países estrangeiros também encontramos termos com o mesmo teor pejorativo, como rat (Estados Unidos da América), sneak (Inglaterra), un homme commère (França), Zinker e 31er (Alemanha). Creio ser arriscado demais tentar fazer uma tradução precisa, sabendo o que dizem os italianos:* “traduttore, traditor*e.".
A origem da traição coincide com o mito da criação do homem. De acordo com os textos bíblicos, Caim, impelido por ciúmes, realiza uma emboscada para ceifar a vida de seu irmão Abel. Todavia, está no Novo Testamento a sua máxima expressão, quando Judas Iscariotes procura as autoridades para delatar Jesus de Nazaré, acarretando a crucificação de um acusado considerado inocente, à luz do Direito Romano. Na concepção cristã, pode-se assegurar que, diante de tantos pecados, nenhum outro veio a ser considerado tão repulsivo quanto esse.
Dante Alighieri, por exemplo, nos versos que compõem A Divina Comédia, representa o mapa do inferno, escalonando-o em diversos pavimentos (círculos) rumo ao núcleo da Terra. Dependendo da iniquidade, os condenados são colocados em um ambiente mais profundo. No nono e último círculo, intitulado Lago Cócite, encontram-se os que se entregaram à traição. Essa instância sombria, por sua vez, é subdividida em quatro valas: a primeira, chamada Caína (alusão à Caim) para aqueles que se voltaram contra os próprios parentes; a segunda, batizada de Antenora, reservada aos traidores da pátria; a terceira, Ptolomeia, para abranger os que insurgiram contra os seus hóspedes e, por fim, a quarta e mais terrível, cujo nome é Judeca (nítida referência ao apóstolo), onde os traidores dos benfeitores expiam por seus pecados na companhia de Lúcifer. Das tre facce do Anticristo, uma separa Judas de Brutus e Cassius. Não seria mera especulação afirmar que, pelos escritos do poeta florentino, consolidava-se a antítese dos ideais de Santo Agostinho sobre o que seria a Cidade de Deus.
Saindo da órbita do cristianismo, a temática se repete em todas as outras religiões. No judaísmo, assim como ocorre no islamismo, a deslealdade repercute severamente no espírito humano. E não haveria como se admitir uma doutrina de fé construída em desacordo com os preceitos éticos das civilizações aos quais aderiram. Até mesmo quando nos aventuramos ao estudo da Mitologia Grega, constatamos que a ira dos deuses normalmente é provocada por uma questão central: a traição.
No estudo da História, mesmo quando orientado pela dialética marxista, percebe-se um enorme destaque às personagens que sucumbiram à vilania da falta de palavra para com os seus confidentes. Talvez o assunto gere certo desconforto aos pesquisadores em geral, por representar tudo aquilo que repudiam no semelhante e em si mesmo.
Durante a segunda etapa de Revolução Francesa, os jacobinos acusaram vários dos seus correligionários de estarem conspirando contra os comitês em troca de privilégios ofertados pela alta burguesia. A insegurança política que conduzia os parisienses à construção de um verdadeiro Estado policial acarretou a execução do corrupto Danton, entre outros ícones do processo revolucionário, como Camile Desmoulins. Pouco tempo depois, a histeria das delações fez os próprios algozes subirem ao cadafalso para terem suas cabeças decepadas. Foi nesse contexto que Charlotte Corday protagonizou o episódio mais emblemático do período, retribuindo ao líder Jean-Paul Marat o terror que havia sido colocado na ordem do dia em reunião extraordinária da Convenção.
Outros fatos históricos da mesma grandeza, que gravitam em torno do tema em tela, marcaram ou mancharam, significativamente, a linha do tempo. Impossível deixar de citar o costumeiro pacto de não agressão, articulado por Joachim von Ribbentrop (Ministro do III Reich condenado à morte pelo Tribunal de Nuremberg), que antecedia a invasão da Wehrmacht ao indefeso país signatário, bem como o escândalo de Watergate, em que um Deep Throat colocava Richard Nixon no dilema entre a renúncia e o Impeachment.
O estudo da evolução política brasileira também esbarra em uma série de inconfidências, ganhando maior notoriedade a que ocorrera em Minas Gerais sob a liderança de Tiradentes. Punido com a estranha e cruel pena capital da “morte para sempre”, contemplada pelas Ordenações Filipinas, o mártir da independência após ser enforcado, teve a sua cabeça arrancada e exposta, espalhando-se os fragmentos do seu corpo esquartejado pelos logradouros públicos. Em contrapartida, o delator Joaquim Silvério dos Reis recebia honrarias de Dom João, sem imaginar que seu nome seria amaldiçoado pela eternidade por seus conterrâneos (desonra para sempre), não obstante tivesse revelado os planos de um homem visto como criminoso pela legislação em vigor naquele período.
Apesar da ideia do óbito em caráter permanente ter sido extirpada do Direito Pátrio com o advento do Código Criminal de 1831, a traição nele permaneceu e perdura até a presente data. Além de configurar uma circunstância agravante genérica, prevista no art. 61 do Código Penal, o vil comportamento se faz presente na Parte Especial entre as qualificadoras do crime de homicídio (art. 121, § 2.º, III) e também como núcleo do tipo penal que leva a rubrica marginal de Patrocínio Infiel (art. 355). Porém, quando interpretada em sentido amplo, a odiosa prática que atinge tanto o particular quanto o Estado, pode ser identificada em trinta e oito delitos inseridos no mesmo diploma legal, como no caso do induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio praticado por motivo egoístico (art. 122, p.ú., I), em que o agente, por exemplo, inculca na vítima o desejo de autodestruição para se beneficiar da herança. Na mesma esteira cabe mencionar diferentes preceitos que indicam mau-caratismo similar, como o Perigo de Contágio Venéreo (art. 130); Violação de Segredo Profissional (art. 154); Bigamia (art. 235); Peculato Mediante Erro de Outrem (art. 313); Fraude Processual (art. 347), entre tantos outros da lei maior em matéria penal e da legislação extravagante. Aliás, por falar em lei especial, é importante assinalar que no Código Penal Militar, no livro que trata Dos Crimes Militares Em Tempo de Guerra, há um capítulo que leva o título Da Traição, no qual para todos os delitos o legislador comina a pena de morte, que no caso brasileiro, de acordo com o art. 56, se cumpre mediante fuzilamento.
Apenas em relação à infidelidade conjugal, a legislação não reage com tanto rigor. No ano de 2005, o adultério foi objeto de abolitio criminis, deixando o mundo do Direito Penal para receber o tratamento do Direito Civil, que, por sua vez, se mostra bastante flexível nesse aspecto. Não há mais o que falar em divórcio por culpa do cônjuge adúltero e, como se não bastasse, as indenizações por danos morais fixadas em valores quase insignificantes vêm perdendo o caráter retributivo e preventivo. Não havendo bens, nem filhos, a dissolução da sociedade conjugal se efetivará em questão de minutos, na frieza dos polos que congela o recinto cartorial. O preço também não representará qualquer empecilho e, certamente, sairá muito mais barato do que trinta moedas de prata. Não seria exagero dizer que estará consumada mais uma traição promovida com um beijo. Aliás, diga-se de passagem, em um mundo onde todos os valores são relativizados, e o dinheiro é reverenciado como deus único, o que dizer da cumplicidade entre marido e mulher, fruto do amor verdadeiro?
O instituto da delação premiada, que vem sendo utilizado como ferramenta estatal no enfrentamento do crime organizado desde o advento da Lei 8.072/90 (Crimes Hediondos) - estendendo-se mais tarde para outras leis específicas, como a Lei 7.492/1986 (Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional), Lei 8.137/1990 (Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo), Lei 9.613/1998 (Lavagem de Dinheiro), Lei 9.807/1999 (Proteção às Testemunhas); Lei 11.343/2006 (Drogas), Lei 12.850/2013 (Organização Criminosa) - entra em uma fase de frequentes ataques na mesma proporção das defesas apaixonadas. Há de se convir que não é tarefa das mais fáceis compreender que, em nosso ordenamento jurídico, a traição pode matar, passar desapercebida ou até ser homenageada.
Para uma corrente doutrinária, o que decidiram chamar de colaboração premiada na última lei acima referida, não passa de um incentivo por parte da administração pública ao nefasto gesto de trair, o que se mostra totalmente incompatível com os Princípios Gerais do Direito. A lei deve possuir conteúdo didático e apresentar princípios cívicos decentes, e não ensinar que o cafajestismo pode ser vantajoso. Se o crime não compensa, a delação não pode recompensar. Além do mais, de todos os integrantes que compõem o grupo de delinquentes, o pior deles é, sem dúvida alguma, aquele que entrega os comparsas à justiça para aliviar a sua própria pele. Trata-se de torpeza repudiada até para quem se aventura às ações delituosas, não havendo espaço para traidores nem mesmo nas penitenciárias onde estão agregados os piores malfeitores. É o estranho, porém notório, código moral do mundo do crime. Vale lembrar o que ocorreu com o mafioso Tommaso Buscetta, que teve dez de seus familiares assassinados em represália ao auxílio prestado à justiça italiana.
Em contrapartida, há quem procure justificar a atitude do traidor com base no finalismo aristotélico, pois se o fim é bom, ou seja, viabilizar o desmantelamento de uma organização criminosa e a cessação de suas atividades com a aplicação de pena aos seus membros, então o meio da delação também o será. Se para o Direito nem a vida tem caráter absoluto, por que o sigilo o teria? Ainda mais quando o evento envolve criminosos... Para esses juristas, o sacrifício da organização, mesmo por intermédio de uma prática execrável, estaria a serviço do bem comum. Advertem que determinados grupos dedicados às atividades ilícitas, que se desenvolvem com requinte empresarial, se não ruírem por dentro, jamais poderão ser detidos por intermédio de práticas repressivas ordinárias. Usam como ilustração a tradição norte-americana de, inclusive, pagar somas em dinheiro ao colaborador por suas preciosas informações. É o modelo de justiça criminal que vem dos remotos tempos da Marcha para o Oeste, quando o governo do Estado Unidos se viu obrigado a delegar aos condados a tarefa de instituírem a sua própria estrutura punitiva para os crimes locais. Daí veio o Wanted Dead Or Live que, de forma mais civilizada, perdura até hoje.
Difícil se chegar a alguma conclusão quando dois argumentos contrapostos estão repletos de razão. Ocorre que para efeito de valoração do ato de dedurar, nenhum deles mostra-se útil. Isso se deve ao fato de não atentarem para o ponto central, ou seja, o que motivou o indivíduo a revelar toda a trama delituosa e a identidade dos concorrentes. Se decide fazer mea culpa pela consciência de ter agido em desacordo com os interesses da coletividade à qual pertence, imbuído da intenção de reparar o dano e amenizar a dor moral que o afeta, a sua responsabilidade não desaparece, mas a mudança de postura justifica a atenuação das reprimendas. Se a lei chamará as benesses aplicáveis de prêmio, a opção semântica não escapa da lógica em nosso ordenamento jurídico de flexibilizar a resposta penal em decorrência do arrependimento posterior. Tal medida há muito tempo é disciplinada nos arts. 16 e 65 do Código Penal, entre outros de caráter excepcional, como ocorre, por exemplo, nos casos de estelionato mediante cheque sem fundo, quando o agente efetua o pagamento da dívida antes do recebimento da denúncia (Súmula 554 do STF).
Entretanto, há casos em que o agente utiliza o instituto da colaboração premiada para se vingar de seus inimigos, imputando-lhes algumas verdades embrulhadas a um punhado de mentiras, que, muitas vezes, nenhuma relação tem com o objeto da investigação. E assim, atingem não apenas a honra objetiva e subjetiva da vítima da infâmia, mas também a própria administração pública, em especial, administração da justiça, fazendo-o incidir no crime de denunciação caluniosa (art. 339 do CP).
Outrosssim, considerando que estamos discorrendo sobre um grave problema enfrentado no Brasil, o que não falta é exemplo pitoresco sobre qualquer tema de natureza jurídica. Já houve, diga-se de passagem, quem se valesse da delação para ganhar muito dinheiro, não como contrapartida do Estado pelas informações prestadas, mas sim de forma indireta, pela qual o indivíduo se beneficia da previsível instabilidade gerada ao mercado financeiro, capaz de favorecer práticas especulativas de toda ordem. Casos como esse, em que o traidor da organização criminosa engana a nação inteira com a sua delação é que provoca a reflexão sobre o lugar onde Dante o colocaria em seu imaginário, ou se nele não haveria espaço para aqueles que traem a própria natureza humana no que diz respeito à capacidade de ser justo e dotado de um mínimo de vergonha.
Sergio Ricardo do Amaral Gurgel é sócio em AMARAL GURGEL Advogados; autor da Editora Impetus; professor de Direito Penal e Direito Processual Penal; e-mail: [email protected]
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2017.08.19 12:49 feedreddit Homologada em 2005, reserva Raposa Serra do Sol volta a pautar discussões sobre terras indígenas

Homologada em 2005, reserva Raposa Serra do Sol volta a pautar discussões sobre terras indígenas
by Tomás Chiaverini via The Intercept
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“Foi aqui que ele caiu”, disse o menino índio de oito ou nove anos, mostrando uma mancha vemelho-escuro sobre o capim. Ele havia me guiado até ali por uma trilha, apontando um rastro de gotas de sangue enquanto caminhava. O wapixana baleado, irmão do cacique, havia sido levado ao hospital na caçamba de uma caminhonete. Estava internado em Boa Vista, em estado grave, mas sobreviveria.
Isso foi em novembro de 2004. Roraima vivia picos de tensão, que se originavam numa região conhecida como Raposa Serra do Sol, na fronteira com a Guiana e a Venezuela. Dali a alguns meses, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaria um decreto homologando a área como uma reserva indígena contínua – incluindo duas cidades, de onde os não-índios seriam retirados. Mas, naquele momento, a expectativa pela decisão espalhava um clima tenso pelo estado, que se materializava em recorrentes conflitos.
Cerca de cinco horas de estrada de terra separavam a aldeia onde havia ocorrido o ataque, da capital, Boa Vista. O motorista, um indígena wapixana na casa dos vinte anos, mantinha o ponteiro do velocímetro sempre entre os 120 e 160. No banco do lado, o colega dele se alternava entre sintonizar alguma canção de brega nas rádios locais e esquadrinhar o horizonte, em busca dos caminhões dos “arrozeiros”.
Em Porto Velho, manifestantes contrários à demarcação, protestam contra o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos
Tomás Chiaverinni
“Olha ali, ali, ali!”, dizia a cada dez ou vinte minutos, apontado para uma moita, uma elevação, ou uma miragem de calor na planície de cerrado que cobre o norte de Roraima. Depois ria e olhava pra trás, de um jeito que não deixava claro se estava só querendo me assustar, ou se realmente se preocupava em topar com os capangas dos fazendeiros plantadores de arroz, que naquela madrugada tinham queimado quatro aldeias e baleado um indígena.
Os fazendeiros, boa parte vinda da região Sul do país, tinham se assentado ali na década de 1970 para plantar arroz. Com o tempo, muitos indígenas locais passaram a trabalhar nessas fazendas e se voltaram contra a reserva. Do outro lado, lideranças ameaçavam descer das serras ao redor do monte Roraima com arco-e-flecha e iniciar uma guerra civil.
Naquele fim de tarde em que visitamos as quatro aldeias destruídas, distribuindo redes e mantimentos para os moradores locais passarem as próximas noites, a possibilidade de um confronto aberto não era desprezível. Havia uma raiva contida no ar e grupos de indígenas, assustados e enraivecidos, postavam-se entre a fumaça, ao lado das pilha de pedras em que suas casas haviam sido transformadas após uma ação de 40 homens armados, montados em caminhões de arroz e tratores. As fotos que ilustram este texto foram tiradas naquele fim de tarde.
“Nós chegamos aqui primeiro”, ele resumiu num tom tranquiloAlguns dias depois, já em Boa Vista, perguntei a um dos advogados dos fazendeiros, o que ele achava daquela situação. O nome dele, lamentavelmente, se perdeu na memória, mas era um homem alto, calvo, de pele muito branca e sotaque gaúcho. Usava camisa bege clara e óculos de aros dourados. “Nós chegamos aqui primeiro”, ele resumiu num tom tranquilo que lhe conferia ares paroquiais.
Mulher e criança desalojadas na ação que envolveu 40 homens armados
Tomás Chiaverinni
A frase soou absurda. Como aquele homem, com aquela cara de alemão, podia dizer que tinha chegado ali antes dos índios? Como algum descendente de europeu, qualquer um, em qualquer parte de um país que por séculos havia promovido o genocídio de incontáveis etnias, podia usar um argumento daqueles? Apesar do aparente disparate, ali, naquela justificativa, estava o germe de uma tese que hoje se tornou uma das maiores ameaças ao direito dos povos indígenas e quilombolas do Brasil: o marco temporal.
A tese é o principal argumento dos ruralistas contra a demarcação de terras indígenas e de descendentes de escravos e foi sedimentada em 2009, justamente durante um julgamento de ações que pediam a revisão da homologação da Raposa Serra do Sol. Na ocasião, o Supremo confirmou a reserva como de direito dos indígenas, o que soou como uma vitória. Mas, ao versar sobre o direito tradicional às terras, estabeleceu um marco temporal para que a posse fosse válida: 5 de outubro de 1988, a data em que a Constituição foi promulgada.

Marco Temporal

Não há nada no artigo 231 (que regulamenta o direitos dos indígenas à terra) que explicite essa tese. Além disso, na época do julgamento de 2009, os ministros deixaram claro que o decidido ali estava restrito à Raposa Serra do Sol. Ainda assim tornou-se recorrente a tese de que uma terra só poderia ser considerada de direito dos indígenas se estivesse comprovadamente ocupada por eles em outubro de 1988.
O argumento é considerado absurdo por juristas e antropólogos por vários motivos. O principal deles, claro, é o de que essas populações vêm sendo expulsas de seus territórios desde que a primeira nau portuguesa ancorou no litoral baiano. Ainda assim, sempre que alguém entra com um processo contra a demarcação de terras indígenas, lá está o marco temporal.
Comunidade indígena ao norte de Boa Vista (RR) foi completamente destruída por capangas de fazendeiros de arroz
Tomás Chiaverinni
Ele esteve presente, por exemplo, no julgamento ocorrido na manhã da última quarta (16), no Supremo Tribunal Federal, em que o estado do Mato Grosso pedia indenização pela demarcação de terras indígenas em seu território. A importância do julgamento foi além das questões atuais e sinalizou como a Corte vai se posicionar diante de casos semelhantes, em um momento em que o governo Federal desfere ataques violentos contra indígenas e quilombolas.
Apesar dos esforços do Executivo para legislar em favor de seus apoiadores, no julgamento dessa quarta, o Supremo decidiu por unanimidade em favor dos indígenas.No dia 19 de julho, por exemplo, o presidente Michel Temer assinou um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) determinando que todos os processos referentes a terras indígenas sigam o que foi decidido no caso de Raposa Serra do Sol. Incluindo o marco temporal. A canetada do presidente foi um afago à bancada ruralista, que o ajudou a enterrar na câmara a denúncia de corrupção feita pela Procuradoria Geral da República contra Temer.
Apesar dos esforços do Executivo para legislar em favor de seus apoiadores, no julgamento dessa quarta, o Supremo decidiu por unanimidade (8 votos a 0) em favor dos indígenas.
Houve os arroubos de sempre, com Gilmar Mendes discorrendo sobre o perigo de índios tomarem Copacabana. Mas, para além deles, o ministro Luis Roberto Barroso defendeu o direito de retorno para os índios expulsos de suas terras. E que o marco temporal só possa ser usado quando os povos tradicionais tiverem saído espontaneamente e deixado claro terem perdido o vínculo com o território.
“O resultado nos dá bastante esperança e alento sobre como a questão do marco temporal será tratada daqui pra frente pelo Supremo”, me disse, logo após o julgamento, a advogada do Instituto Socioambiental (ISA) Juliana de Paula Batista.
Em outras palavras, o STF mandou uma clara mensagem ao governo e à bancada ruralista de que, ao menos por enquanto, não será tão simples usar a tese do advogado de Boa Vista de que “nós chegamos aqui primeiro”.
Foto em destaque: Criança em comunidade indígena ao norte de Boa Vista (RR), em 2004, quando foi completamente destruída
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2017.07.27 19:56 feedreddit Rodrigo Maia é dono de escritório usado pelos grupos Odebrecht e BTG Pactual

Rodrigo Maia é dono de escritório usado pelos grupos Odebrecht e BTG Pactual
by Breno Costa via The Intercept
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Primeiro da fila para ocupar a Presidência da República caso Michel Temer tenha de deixar o cargo, o deputado e presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é dono de um escritório que foi usado por cerca de quatro anos pela Odebrecht e, atualmente, é ocupado por uma empresa do banco BTG Pactual. O aluguel de uma sala semelhante, em valores atuais de mercado, é de cerca de R$ 15 mil mensais. Ambas as empresas ganharam destaque nas páginas político-policiais nos últimos anos, na esteira de uma profunda e bilionária relação com o poder público.
Nas planilhas de controle da distribuição de propinas da Odebrecht, Maia recebeu o codinome “Botafogo”. Uma referência, em tese, ao time pelo qual torce. Por coincidência, o mesmo nome do bairro da Zona Sul do Rio onde fica a sala que serviu de base para uma filial da Odebrecht. A sala 901 tem cerca de 300 m², está bem conservada e fica no penúltimo andar de um prédio comercial antigo de Botafogo, o Edifício Santo Eugênio, na Rua Voluntários da Pátria, uma das mais movimentadas da cidade.
Pai de Rodrigo e seu “criador” político, o ex-prefeito do Rio e atual vereador Cesar Maia (DEM) manteve registrada ali, nos anos 1990, a empresa Factóides & Factóides Promoções e Marketing, em sociedade com a mãe e uma irmã de Rodrigo. Na época, contudo, a sala ainda não pertencia à família, mas a Ivan Galindo, assessor de confiança de Cesar. O ex-prefeito e sua mulher a compraram em outubro de 2002, conforme certidão do registro do imóvel.
Em julho de 2004, a Construtora Norberto Odebrecht S/A, com sede na Praia de Botafogo, registrou uma nova filial na Receita Federal. O endereço cadastrado foi a sala comercial de propriedade de Cesar Maia, na época prefeito do Rio de Janeiro. Maia, o pai, também tinha apelidos especiais na planilha secreta da Odebrecht, divulgada este ano: “déspota” ou “inca”. O filho é investigado em dois inquéritos da Lava Jato por suspeita de caixa dois e lavagem de dinheiro. Em um deles, ex-executivos e diretores da Odebrecht afirmam que o deputado recebeu R$ 100 mil da empreiteira, em outubro de 2013, para ajudar na aprovação da Medida Provisória 613, que atendia a interesses tributários de uma das empresas do grupo Odebrecht, a Braskem. Em outro, é investigado por receber ilegalmente da empreiteira R$ 350 mil em 2008, supostamente para financiar campanhas eleitorais de candidatos do DEM no Rio de Janeiro.
A Odebrecht já registrou mais de 400 filiais em todo o país, conforme registros da Receita Federal. Invariavelmente, a criação de novos registros está associada a novas obras tocadas pela empreiteira. Na maioria dos casos, embora não seja uma obrigação legal, a obra em questão vem discriminada no registro da Receita, como o “nome fantasia” da filial. No caso da unidade aberta em Botafogo, que ficava a 1,1 km do endereço da então sede da empresa, não houve essa especificação.
A empresa já havia obtido, em 2003, uma obra de grande porte junto à administração de Cesar Maia: a reforma da Avenida Brasil, ao custo de R$ 32 milhões. Mas a construtora tinha um interesse especial, como tantas outras grandes empreiteiras, pelas obras dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A prefeitura do Rio, comandada por Maia, era responsável por parte dessas obras. A principal delas era a construção do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão.
No início de 2005, a Odebrecht levou um contrato de R$ 144 milhões (após aditivos) com a prefeitura para tocar a segunda fase de obras no estádio. O contrato foi assinado em 4 de março daquele ano. Um dia antes, a filial da Odebrecht instalada no escritório dos Maia obteve sua Inscrição Municipal, condição necessária para a prestação de serviços.
Na época da assinatura do contrato, Cesar Maia esbanjava confiança política, a ponto de se colocar como pré-candidato a presidente da República pelo extinto PFL (atual DEM). Chegou a fazer uma caravana pelo país para se tornar mais conhecido.
O ex-prefeito Cesar Maia em campanha eleitoral no Rio em 2000Menos de dois meses depois da assinatura do contrato com a Odebrecht para as obras do Engenhão, Cesar Maia doou a sala comercial mantida em Botafogo para o filho, o deputado federal Rodrigo Maia, àquela altura ainda sem uma bagagem política relevante. A doação foi registrada, com assinatura de Rodrigo, em 27 de maio de 2005. Naquele momento, a Odebrecht era a inquilina da família Maia.
A sala comercial é a única no patrimônio de Rodrigo, segundo declaração apresentada à Justiça Eleitoral. Ele tem apenas outros dois imóveis: dois apartamentos no Rio de Janeiro, também passados a ele pelo pai, como doação. Um deles é onde vive com a mulher e os filhos.
Qualquer aluguel da sala deveria ser pago para Cesar Maia, o prefeito do Rio de Janeiro. Isso porque o pai, como doador, reservou para si o usufruto do imóvel – o que, juridicamente, significa que o aluguel deve ir para ele, e não para Rodrigo.
Mas a relação entre pai e filho sempre foi extremamente próxima. Não à toa, na última campanha eleitoral para a Câmara, em 2014, Rodrigo recebeu R$ 284 mil em doações do pai seu maiordoador.
O lobby do setor elétricoNos registros da Receita Federal e nos dados da Inscrição Municipal da Odebrecht, a filial da empresa segue ativa e ainda com a sala de Rodrigo Maia como endereço oficial. No entanto, a Odebrecht deixou de ocupar efetivamente o prédio há quase dez anos.
Outras filiais abertas pela Odebrecht desde 2004 também já fecharam suas portas e deram baixa na Receita, inclusive no Rio de Janeiro. Essa filial em específico, a de número 0070, segue ativa no papel. A empresa-mãe, por exemplo, já atualizou seu endereço, alterando sua sede para o suntuoso prédio espelhado construído pela empresa na revitalizada zona portuária do Rio de Janeiro antes do estouro da crise da Lava Jato.
A nova sede da Odebrecht fica na Região Portuária do Rio, uma das áreas que mais foram valorizadas nos últimos anos.
Foto: Luciola Villela/ Divulgação Prefeitura do Rio
Hoje, a empresa que ocupa a sala 901 do Edifício Santo Eugênio é a Tropicália Transmissora de Energia S.A. É a caçula entre um grupo de empresas do ramo energético que tem um fundo de investimentos gerido pelo BTG Pactual como controlador.
A atual inquilina dos Maia nasceu em maio de 2016, com um nome nada brasileiro: Holbaeck Empreendimentos e Participações. Sua sede era em São Paulo. Em fevereiro deste ano, recebeu uma injeção de R$ 15 milhões via três fundos controlados pelo BTG . Dias antes, em 10 de fevereiro, havia obtido seu primeiro contrato de concessão junto à Aneel: autorização para instalar uma linha de transmissão na Bahia, ao custo de cerca de R$ 370 milhões. Na sequência, em 4 de abril, a sede foi transferida para a sala de Rodrigo Maia.
Quatro andares abaixo dela funciona a empresa “irmã” Termelétrica Viana S.A. (a Tevisa). As ligações para o telefone da Tropicália registrado na Receita Federal caem, na verdade, na sala da Tevisa. Quando se pergunta pela Tropicália, a ligação é transferida diretamente, via ramal, para a secretária da nova aposta do BTG Pactual no setor elétrico.
O presidente do Conselho de Administração da Tevisa e sócio do BTG Pactual é Oderval Esteves Duarte Filho. Eleé um dos vice-presidentes da associação de lobby do setor energético, a Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia). Até março deste ano, Oderval era o presidente da entidade, posto ocupado desde março de 2013.
Na mesma sala da Tevisa também está registrada outra companhia do BTG, a Linhares Brasil Energia Participações S.A. Um andar acima, outra empresa controlada pelo banco: a Integração Transmissora de Energia (Intesa). Essa empresa especificamente investiu R$ 520 milhões para construir mais de 600 km de linhas de transmissão de energia elétrica entre Tocantins e Goiás.
O setor elétrico está prestes a passar, após muito lobby, pela mais promissora reforma regulatória em décadas – do ponto de vista das empresas do ramo. Rodrigo Maia, tanto na posição de presidente da Câmara, como de eventualmente presidente da República, terá papel decisivo nessa discussão. A minuta da alteração do marco legal do setor foi colocada para consulta pública, pelo governo federal, no último dia 5 de julho. Entre os pontos em discussão está a “possibilidade de redução de custos de transação na transmissão”. Quando a consulta pública for encerrada, o texto seguirá para a Câmara, possivelmente em forma de medida provisória.
Abafa em CPI e palestra para executivos do BTG PactualO BTG Pactual chegou a ficar no olho do furacão da Lava Jato quando seu então acionista controlador, André Esteves, foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2015 ao supostamente participar da operação de compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Outras relações do banco com a Petrobras ainda são objeto de investigação na Lava Jato. Depois da prisão, parte dos deputados iniciou uma articulação para criar uma CPI para investigar o banco. As assinaturas necessárias para a criação da comissão foram obtidas.
Mas em julho de 2016, logo antes de Rodrigo Maia assumir a presidência da Câmara, o então presidente-tampão, Waldir Maranhão, decidiu pelo arquivamento do pedido de criação da CPI, alegando uma falha formal na coleta de assinaturas. Desde então, um recurso apresentado pelo deputado responsável pelo pedido de criação da CPI está parado, aguardando análise pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A decisão de Maia em não promover o desarquivamento foi política, já que o recurso não chegou a ser examinado. Em fevereiro deste ano, o deputado foi um dos convidados para palestrar a executivos do BTG Pactual em conferência realizada pelo banco em São Paulo.
A fila andaComo presidente da Câmara dos Deputados, Maia comandará, na próxima quarta-feira (2), a sessão que poderá dar um passo decisivo para sua ascensão à Presidência da República. A Câmara votará a autorização para que o STF analise a denúncia que a Procuradoria-Geral da República ofereceu contra o presidente Michel Temer. Nos últimos dias, ele tem procurado desfazer, junto a Temer, rumores de que tem atuado cada vez mais diretamente para, de fato, jogar o atual presidente aos leões e assumir o Palácio do Planalto.
A denúncia de corrupção passiva contra Temer é apenas a primeira de uma série de três acusações, baseadas na delação do grupo JBS, que o procurador-geral Rodrigo Janot deverá apresentar antes de deixar o cargo, em setembro. A opção por dividir as denúncias amplifica o potencial de minar a sustentação política que mantém Temer no cargo e maximiza o desgaste do peemedebista – que deverá se articular seguidamente, e mediante constante concessão de benesses em tempos de penúria econômica, para barrar uma derrota no plenário da Câmara.
Mesmo que Temer sobreviva às acusações de crimes praticados por ele no exercício do cargo, e Rodrigo Maia permaneça como presidente da Câmara, a posição do deputado continua sendo altamente estratégica tanto para a Odebrecht quanto para o BTG Pactual.
Caso fosse presidente da República, Maia estaria sujeito à Lei de Conflito de Interesses, de 2013, que se aplica a cargos no Poder Executivo. A lei não fala explicitamente sobre relações patrimoniais, mas um de seus artigos deixa claro que configura conflito de interesses a “manutenção de relação de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão do agente público ou de colegiado do qual este participe”.
O Código de Ética da Câmara aborda tangencialmente essa questão. Um dos artigos estabelece como obrigação do parlamentar apresentar declaração de impedimento para votar sempre que houver, em comissões ou em plenário, “apreciação de matéria que envolva direta e especificamente seus interesses patrimoniais”.
“A Odebrecht não vai se manifestar”Procurados para comentar o uso da sala em Botafogo, tanto Rodrigo quanto Cesar Maia disseram não ter conhecimento sobre nada relativo ao imóvel – a única sala comercial de propriedade da família. The Intercept Brasil pediu uma cópia dos contratos de aluguel, mas eles disseram não possuir cópias dos documentos e afirmam que todos os negócios envolvendo a sala são feitos por uma administradora de imóveis do Rio.
A assessoria de Rodrigo afirmou que “não tratou de nenhuma negociação de aluguel e que não foi procurado por ninguém”. Cesar Maia disse que passou a representação do imóvel para um escritório de advocacia e que, logo em seguida, a Odebrecht alugou a sala e ficou lá até “meados de 2008”. “Os aluguéis eram pagos aos escritórios que descontavam a comissão de contrato e transferiam a nossa conta”.
The Intercept Brasil enviou diversas a Cesar e Rodrigo para que esclarecessem o uso do imóvel. A maior parte ficou sem resposta, apesar de insistência. Entre elas:
O BTG Pactual disse que não comentaria o caso, já que a Tropicália tem administração própria. O banco indicou o CEO da transmissora de energia elétrica, Marcelo Pedreira de Oliveira, para responder às questões da reportagem. Marcelo, por e-mail, escreveu que a locação “foi realizada por meio de uma administradora de imóveis, com valores de mercado e seguindo todos os trâmites legais”. TIB também perguntou a ele sobre cópia do contrato de aluguel e valor acertado, e se tinha ciência de que a sala pertence a Rodrigo Maia, mas essas informações não foram fornecidas. Sobre a instalação da Tropicália naquela sala em específico, Marcelo justificou com o fato de que outras empresas de energia do fundo do BTG já estavam instaladas no mesmo edifício.
A Odebrecht foi acionada para comentar o caso e apresentar esclarecimentos sobre o uso da sala de Rodrigo Maia na terça-feira, dia 25, pela manhã. Estas foram as perguntas enviadas para a empresa:
– A Odebrecht pagou aluguel para usar a sala? Em caso positivo:
– Em que mês e ano a Odebrecht deixou de usar a sala?
– Onde funciona hoje a filial 0070 da Odebrecht? Por que ela mantém o endereço antigo?
– A que se destina a filial 0070 da Odebrecht?
– Por que a unidade foi registrada naquele endereço específico?
– No período em que esteve na sala, a Odebrecht realizou alguma benfeitoria no imóvel? Qual(is)??
– Quando a empresa viu que o proprietário do imóvel era o então prefeito do Rio, Cesar Maia, não avaliou que poderia haver conflito de interesses?
Depois de contatos e pedidos de extensão de prazo para poder analisar melhor o caso, a empresa enviou uma nota sucinta na noite de quarta (26): “A Odebrecht não vai se manifestar”.
Foto: Rodrigo Maia no evento “Reforma Política Já!, realizado na Fiesp, em São Paulo, em junho de 2017. Suamy Beydoun/Agif/Folhapress
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2017.07.04 20:21 feedreddit Cibersegurança para todos: como proteger a privacidade de suas conversas com o Signal

Cibersegurança para todos: como proteger a privacidade de suas conversas com o Signal
by Micah Lee via The Intercept
URL: http://ift.tt/2tNJqLd
Video de Lauren Feeney
O conteúdo das suas conversas – sejam elas pessoais, profissionais ou políticas – pode ser alvo da espionagem de um governo local ou estrangeiro. Além disso, o envio de uma senha ou número de cartão de crédito pelo celular também pode ser interceptado por um criminoso. Ou então você pode querer se candidatar a um emprego sem o conhecimento do seu chefe atual; discutir um assunto delicado com um advogado; conversar com amigos sobre a ida a uma manifestação, um aborto ou a compra de uma arma; enviar fotos íntimas ao seu parceiro(a) sem que ninguém as veja; ou querer manter segredo sobre um novo relacionamento no trabalho. Esses são apenas alguns exemplos de como a privacidade pode ser importante.
Felizmente, a privacidade é um direito fundamental do ser humano.
Infelizmente, a maioria das ferramentas utilizadas para se comunicar via celular – ligações, mensagens de texto, e-mails, Facebook, Skype, Hangouts etc. – não são tão privadas como poderíamos pensar. Sua operadora de telefonia, seu provedor de internet e as empresas que criam os aplicativos que você usa para se comunicar podem interceptar o que você diz ou escreve. Seus bate-papos podem ser acessados pela polícia e por agências de espionagem como a NSA. Eles também podem ser vistos por _qualquer um_que pegar e vasculhar o seu telefone. Algumas mensagens podem ser lidas mesmo com o celular bloqueado, na tela de notificações.
Mas é possível garantir a privacidade das suas conversas. O primeiro passo é instalar um aplicativo chamado Signal – e seus contatos devem fazer o mesmo. Então é só configurar o programa para bloquear as ameaças.
O Signal é fácil de usar, funciona tanto no iOS – o sistema operacional dos celulares da Apple – quanto no Android – do Google – e criptografa suas mensagens de forma que apenas você e seu interlocutor possam decifrá-las. Além disso, ele é um software de código aberto, então qualquer especialista pode verificar se o programa é realmente seguro. O Signal pode ser baixado na Play Store do Android e App Store do iPhone.
Embora o Signal seja um software muito bem feito, você precisa fazer alguns ajustes para maximizar a segurança de suas conversas. Já escrevi sobre algumas dessas configurações no ano passado, mas o programa mudou muito desde então, e talvez você não conheça algumas de suas funcionalidades mais úteis.
Vou falar sobre elas em detalhes mais abaixo – e no vídeo acima, criado por Lauren Feeney.
Para ir diretamente a um item específico, clique no link correspondente abaixo:

Recomende o Signal a seus amigos

Você só pode enviar mensagens criptografadas e fazer ligações protegidas para outros usuários do Signal. Não adianta instalar o programa e continuar usando torpedos não criptografados para se comunicar. Faça com que seus amigos também instalem o aplicativo.
Se você é um ativista, recomende o Signal aos participantes da próxima reunião ou manifestação; se é jornalista, fale com suas fontes e editores; se está se candidatando a algum cargo político, use o Signal para se comunicar com sua equipe de campanha.

Bloqueie seu telefone

O Signal usa uma rigorosa criptografia de ponta-a-ponta, que, quando verificada, impede que o conteúdo das mensagens seja decifrado por um intermediário, como os criadores do Signal, operadoras de telefonia, provedores de internet – ou pela NSA e outras agências de espionagem que coletam dados em massa na internet.
Mas a criptografia do Signal não pode impedir que alguém pegue o seu telefone e abra o aplicativo para ler suas mensagens. Para isso, é preciso bloquear o acesso ao telefone com uma senha ou outra forma de autenticação. Você também deve habilitar a criptografia de dados do aparelho e atualizar o sistema operacional e aplicativos com frequência, pois isso dificulta consideravelmente a ação dos hackers.
No Android:
No iPhone:

Oculte as mensagens do Signal na tela de bloqueio

A criptografia do Signal será de pouca serventia se outras pessoas puderem ver as mensagens que você recebe na tela bloqueada do seu celular. Se o seu telefone costuma estar ao alcance de pessoas que não deveriam ler suas mensagens – colegas de quarto, colegas de trabalho e seguranças de aeroporto, por exemplo – desative a pré-visualização de mensagens do Signal na tela de bloqueio do telefone.
À esquerda, notificação do Signal em um iPhone bloqueado. À direita, notificação do Signal em um Android bloqueado.
Siga estes passos para desativar as notificações do Signal:
No Android:
No iPhone:
À esquerda: notificações do Signal oculta em um iPhone bloqueado. À direita: notificação do Signal oculta em um Android bloqueado.

Não guarde suas mensagens para sempre

Quando uma mensagem criptografada é enviada pelo Signal, apenas dois dispositivos guardam cópias do texto trocado: o seu celular e o do destinatário. Diferentemente de outros aplicativos de troca de mensagens, o servidor do Signal nunca tem acesso às mensagens, e os conteúdos criptografados permanecem online por muito pouco tempo. Isso significa que, quando você apaga uma mensagem do seu telefone – e o destinatário faz o mesmo – esse conteúdo deixa de existir. É uma boa ideia apagar seu histórico de mensagens frequentemente, principalmente quando se trata de conversas confidenciais. Dessa forma, se o seu telefone for vasculhado, as conversas de um ano atrás de que você nem se lembrava – e aquela conversa confidencial da semana passada – não serão encontradas.
O Signal permite programar a exclusão de mensagens depois de um certo tempo (entre cinco segundos e uma semana), tanto do telefone do remetente quanto do destinatário. Essa função se chama “Mensagens efêmeras”. Porém, nada impede que o seu interlocutor grave as mensagens antes que elas sejam excluídas – por meio de captura de tela, por exemplo.
Se você costuma mandar mensagens confidenciais para amigos ou grupos do Signal (vou falar sobre grupos mais adiante), recomendo ajustar a exclusão programada das mensagens para uma semana depois de lidas. Você também pode ativar as “mensagens efêmeras” para um contato e logo depois desativá-las, o que pode ser útil para o envio de uma senha, por exemplo.
No Android:
No iPhone:
Neste exemplo, as mensagens desaparecerão depois de cinco minutos.
Você também pode apagar manualmente mensagens individuais – ou mesmo conversas inteiras – do seu telefone. Mas você não pode, é claro, apagá-las do telefone do destinatário; isso só é possível com a opção “Mensagens efêmeras”.
No Android:
No iPhone:

Como enviar e receber fotos e vídeos privados

O Signal facilita o envio de fotos e vídeos criptografados – inclusive _gifs_animados. Quando estiver conversando com alguém, basta dar um toque no clipe de papel para abrir sua coleção de fotos ou acessar diretamente a câmera do celular.
O Signal também tem outro dispositivo de segurança: as fotos e vídeos gravados a partir do próprio aplicativo não são salvos automaticamente na memória do telefone. Da mesma forma, as fotos e vídeos que você receber também não serão gravados automaticamente. Se você quiser adicionar uma foto à coleção do celular, basta dar um toque longo na foto e salvá-la.
Por que isso é importante? Muitas pessoas sincronizam automaticamente fotos e vídeos com serviços de armazenamento em nuvem como iCloud, Google e outros. Elas também costumam permitir que aplicativos como Facebook e Instagram tenham acesso à galeria de imagens do telefone. Por mais cômodo que seja, isso significa que o provedor do serviço de armazenamento em nuvem também terá acesso às suas imagens, podendo entregar os dados a terceiros, como uma agência governamental. Da mesma forma, suas imagens podem ser acessadas por hackers, como em 2014, quando fotos de celebridades nuas foram publicadas na internet depois de um ataque a suas contas no iCloud.
Portanto, se você fotografar um documento confidencial para um jornalista – ou tirar uma _selfie_sensual para o(a) namorado(a) –, envie as fotos diretamente pelo Signal, que é capaz de criptografar uma imagem da mesma forma que uma mensagem de texto.

Como criar grupos de discussão seguros

Para mim, uma das funcionalidades mais úteis do Signal é a possibilidade de criptografar uma conversa em grupo. Qualquer pessoa pode criar um grupo no Signal e adicionar quantas pessoas quiser; as mensagens de todos os membros serão criptografadas. Assim como nas conversas individuais, você pode habilitar a exclusão programada de mensagens, fotos e vídeos. Veja alguns exemplos de situações em que os grupos do Signal podem ser úteis:
Veja como usar os grupos do Signal:
No Android:
No iPhone:
Os grupos do Signal são úteis, mas não são perfeitos. Os problemas podem ser resolvidos em versões futuras, mas, por enquanto, são os seguintes:

Como fazer chamadas de voz e vídeo seguras

Além de permitir o envio de mensagens de forma segura, o Signal também pode ser usado para fazer ligações criptografadas de voz e vídeo. Basta selecionar o ícone de telefone para ligar para um contato. Trata-se de uma ligação telefônica normal, mas com a segurança da criptografia de ponta-a-ponta. Para iniciar uma chamada de vídeo, toque no ícone de câmera durante a ligação para ativar a câmera – simples assim.
Durante uma chamada de voz ou vídeo, seu interlocutor pode ver o seu endereço IP, o que pode ser utilizado para determinar a sua localização. Na maioria das vezes isso não importa, mas às vezes pode ser um problema – se você não quiser revelar de que país está ligando, por exemplo. Nesses casos, é possível redirecionar a ligação através dos servidores do Signal, fazendo com que o único IP visível no outro lado da linha seja o do próprio Signal. Essa função diminui ligeiramente a velocidade da conexão, o que pode reduzir a qualidade da ligação. Veja como habilitá-la:
No Android:
No iPhone:

Como enviar mensagens sem adicionar o destinatário aos contatos

A maioria das pessoas sincroniza seus contatos com o iCloud, Google, a empresa em que trabalham ou outros serviços de nuvem. Isso é muito conveniente; se você perder o telefone e comprar um novo, poderá recuperar seus contatos. Porém, isso quer dizer que sua lista de contatos pode ser acessada pelos provedores do serviço de sincronização, que, por sua vez, podem fornecer os dados para a polícia ou agências governamentais.
Você pode querer conversar com certos contatos de maneira segura, mas sem adicioná-los à sua lista de contatos. Por exemplo, se você quiser vazar uma informação para um jornalista sem ser investigado por isso, é melhor não salvar o número do repórter na nuvem.
O Signal permite que você converse com pessoas que não estão na sua lista de contatos. Para fazer isso, abra o aplicativo, selecione o ícone de caneta para iniciar a conversa e digite o número de telefone no campo de busca. Se a pessoa em questão for usuária do Signal, você poderá trocar mensagens criptografadas com ela sem ter que adicioná-la aos seus contatos.

Use números de segurança para se proteger de ataques

Esta seção pode parecer um pouco confusa – o funcionamento da criptografia é uma coisa meio complicada mesmo. Mas o mais importante aqui é aprender como verificar os números de segurança.
Mais acima, eu disse que o Signal garante a privacidade das suas conversas quando devidamente verificado. Para usar o Signal corretamente, é preciso verificar se suas comunicações não estão sendo interceptadas em um ataque man-in-the-middle.
Um ataque man-in-the-middle(“homem no meio”, em tradução literal) acontece quando duas pessoas – Alice e Bob, por exemplo – pensam que estão conversando diretamente uma com a outra, mas, em vez disso, tanto Alice quanto Bob estão conversando com um intermediário, que intercepta tudo o que está sendo dito. Para proteger totalmente as suas conversas, é preciso verificar se a troca de informação criptografada está sendo feita diretamente com seus contatos, e não com algum impostor.
Você tem um “número de segurança” em comum com cada contato do Signal. Por exemplo, Alice tem um número de segurança em comum com Bob e outro com Charlie. Quando Alice liga para Bob, se o número de segurança que aparecer no celular de ambos for igual, isso significa que a conexão é segura. Porém, se os números forem diferentes, tem alguma coisa errada; talvez Alice ou Bob estejam vendo o número de segurança que têm em comum com o interceptador, o que explicaria a discrepância.
É improvável que alguém tente atacar a sua conexão _na primeira vez_que você entrar em contato com um amigo. Por isso, o Signal considera como seguro o primeiro número de segurança atribuído para cada contato. Mas, se o conteúdo da conversa for confidencial, é melhor confirmar assim mesmo.
Para verificar a integridade da criptografia, acesse a tela de verificação da seguinte forma:
À esquerda: tela de verificação do número de segurança no iPhone. À direita: tela de verificação do número de segurança no Android.
Existem algumas maneiras de verificar com um amigo se seus números de segurança são iguais. A mais fácil é presencialmente, juntos no mesmo lugar, mas também é possível fazê-lo à distância.
Como verificar um contato presencialmente
Se você puder se encontrar com seu contato, basta escanear o código QR (um código de barras quadrado) dele. No Android, toque no círculo com o código para escanear; no iPhone, selecione o ícone “Escanear código”. Aponte a câmera para o código QR de seu amigo: se o processo for completado normalmente, isso significa que a criptografia é segura.
Como verificar um contato à distância
Se vocês não puderem se encontrar pessoalmente, é possível verificar os números de segurança à distância, embora o processo seja um pouco trabalhoso.
Você e seu contato devem enviar o número de segurança por meio de um canal externo – ou seja, por fora do Signal. Envie uma mensagem no Facebook, Twitter, um e-mail ou faça uma ligação telefônica – ou então use outro aplicativo de mensagens criptografadas, como WhatsApp ou iMessage. Se estiver realmente preocupado com uma possível interceptação, recomendo fazer uma ligação; se você conhece a voz do seu contato, é muito difícil alguém se fazer passar por ele.
Quando seu contato receber seu número de segurança, ele deverá acessar a tela de verificação e comparar – algarismo por algarismo – o que você enviou com o que ele está vendo. Se os números forem idênticos, a conexão é segura.
Tanto no Android quanto no iPhone, você pode tocar no botão de compartilhamento na tela de verificação para enviar o número de segurança via outros aplicativos ou copiá-lo para a área de transferência do telefone.
Verifique novamente contatos que trocarem de telefone
De vez em quando, você pode ver a seguinte mensagem no Signal: “Número de segurança modificado. Toque para verificar.” Isso pode signifcar uma das duas seguintes possibilidades:
  1. Seu contato instalou novamente o Signal, provavelmente por ter comprado um novo telefone.
  2. Alguém está tentando interceptar suas conversas.
A segunda alternativa é menos provável, mas a única maneira de ter certeza é verificar novamente o número de segurança com o seu contato.

Como usar o Signal no seu computador

Embora seja necessário instalar o Signal no celular para começar, também é possível instalar o aplicativo no seu computador. O programa não tem todas as funcionalidades da versão para celular – ainda não é possível fazer chamadas ou modificar grupos –, mas pode facilitar muito a vida de quem usa o Signal. Principalmente se, assim como eu, você passa o dia inteiro na frente do computador e precisa do Signal para trabalhar.
Trata-se de uma extensão para o navegador Chrome. Ou seja, primeiro é preciso instalar o Chrome no seu computador. Só então você pode baixar o Signal na Chrome Web Store. Ao executar o programa pela primeira vez, siga as instruções na tela para conectá-lo ao Signal do seu smartphone.
No entanto, instalar o Signal no seu computador proporciona mais uma possibilidade de ataque e interceptação de dados. Quando você usa o Signal apenas no telefone, se alguém quiser ler suas conversas, ele terá que hackear o seu celular. Mas se você também usa o aplicativo no computador, um hacker pode atacar _tanto o seu telefone quanto o seu computador_– o que for mais fácil. Por causa das diferenças na arquitetura dos sistemas operacionais de celulares e computadores, o mais provável é que o seu computador seja o alvo mais fácil.
Além disso, seus dados do Signal são armazenados de forma mais segura no telefone. No Android e no iOS, suas mensagens – e chave criptográfica – são armazenadas pelo próprio Signal, e outros aplicativos não têm acesso a elas. Já no Windows, MacOS e Linux, esses dados são guardados em uma pasta do seu disco rígido, e praticamente _todos_os seus aplicativos têm acesso a ela. Portanto, em certas situações, talvez o mais prudente seja não instalar o Signal no computador.
Tradução: Bernardo Tonasse
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